José Eduardo Guimarães
Da imprensa local (Notícias de Guimarães, Toural e Expresso do Ave), à regional (Correio do Minho), da desportiva (Off-Side, O Jogo) à nacional (Público, ANOP e Lusa), do jornal à agência, sempre com a mesma vontade de contar histórias, ouvir pessoas, escrever e fotografar, numa paixão infindável pelo jornalismo, de qualidade (que dá mais trabalho), eis o resultado de um percurso também como director mas sempre com o mesmo espírito de jornalista… 30 anos de jornalismo que falam por si!

E do ponto de vista político?

Um militante do PS foi deposto por um “independente” assim reconhecido pelo presidente da Câmara, na administração da Vitrus. Do ponto de vista partidário que leitura pode ter este sair de “um dos nossos” – como podem dizer os militantes do PS – para entrar “um dos outros”? A questão não é de competência… pelo que se viu e ouviu, pois Daniel Pinto saiu com o seu estatuto de “gestor” imaculado.

Sendo política, logo arbitrária, o que pensarão os “pares” – os militantes do PS que amanhã também poderão estar no lugar de Daniel Pinto? Não fosse a conjuntura local e o PS Guimarães diria alguma coisa, sobre esta mudança? E se Daniel Pinto não fosse apoiante de Ricardo Costa, na corrida para a Federação Distrital, o que diria a comissão política? Há mais perguntas que se podem fazer. Uma delas, é que o PS consolidou aos olhos dos eleitores, uma imagem de competência dos seus membros ou militantes.

De que modo se pode enriquecer o PS ao desperdiçar – e maltratar – os seus melhores, os seus talentos? Muitos desses talentos – revelaram-se no exercício de funções políticas, ao nível da vereação e da assessoria política, estão a engrossar uma lista de quadros que se vão colocando numa “prateleira” e desistem até já de ser “reserva”, deixando-se caminhar numa carreira de funcionalismo público, em devido tempo assegurado. Será que os militantes gostam de se ver substituídos por quem não veste a sua camisola e apenas se aproveita do cargo que exerce para partilhar poder ou aceder ao poder? E se esta ascensão louca pelo poder não se ficar por aqui? Como reagirão os militantes do PS?

Olhando para o lado, fazendo de conta que isto não é consigo? Terão os socialistas sentido crítico para não apreciarem esta confusão que reina na sua casa, sem sentido de colectivo mas antes com o coletivo a servir para algumas ambições mais particulares? E no futuro próximo, nas próximas eleições autárquicas, o dito “independente” – que acha que os partidos são má escola – vai continuar a ser promovido, em detrimento dos políticos que o PS revelou ter e que estão a ser colocados ao lado e de parte, apenas porque são competentes e que sonham legitimamente ir mais além, na carreira do poder local ou nacional?

“Há um dado importante no actual PS Guimarães: é o de que se auto-flagela por não saber regular a sua vida interna…”

Há um dado importante no actual PS Guimarães: é o de que se auto-flagela por não saber regular a sua vida interna, discutindo questões de mercearia interna, baixando o nível de qualificação e preparação para cargos públicos, deixando que os bons se pareçam com os maus, numa anarquia de valores e capacidades. É que, há muita gente, a pensar que o PS não precisa da sua história e do seu passado, dos seus feitos, para se manter no poder. O prestígio do partido – com os homens e as mulheres que o compõem – foi um ganha pão até agora, mas pode estar em declínio, e deixar de ser moda.

Nos partidos discute-se muito em função de um presente que agrada a uma determinada elite e a uma conjuntura… mas o passado feito presente – slogan que a Câmara Municipal utiliza, pode estar a ofuscar-se por falta de reflexão, visão política… No PS há muitos militantes e dirigentes habituados a conquistar o poder pela força do voto. Mas pode estar a emergir, agora uma força catalizada no voto, mas que se instalando, pé ante pé, de forma pretensamente desinteressada, a partir do que o voto pode dar e que já iniciou uma maratona…

© 2020 Guimarães, agora!

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