‘Guimarães Jazz 35 anos’, é uma publicação sobre o festival, dos últimos 10 anos, que sucede a tantas outras. E, por isso, “um olhar sobre o passado”.
Se o seu pretexto principal é coleccionar os cartazes dos festivais a partir de 2019, servindo para agregar nomes de artistas e grupos que entram na história do evento, depois de “Novembro” que fez esse primeiro trabalho de compilação agora completado até à edição deste ano, também, pretende assinalar como o Guimarães Jazz, num mundo em movimento e cheio de transformações, recorda como foi possível “desenvolver estratégias de adaptação que se reflectiram nos seus programas”.
Ivo Martins, o homem da programação do Guimarães Jazz, há 30 anos, explica que o que se diz do e sobre o festival nem sempre é acertado. Por exemplo, sobre a inclusão de músicos portugueses – uma raridade quando o Guimarães Jazz apareceu – o que fica claro ao ver e consultar todos os cartazes e programas e que não é bem assim.
Esta listagem, solta, ganha mais força agora em duas publicações que fazem parte da espólio da programação, o que torna o Guimarães Jazz como o festival “mais documentado” do país.
Esser Jorge Silva, hoje, presidente executivo de A Oficina, entende que o livro agora editado marca um momento importante do festival. E faz lembrar os tempos “em que a vida cultural era feita com grande denodo”.
“Guimarães tinha de abrir fronteiras, e de ser um ponto de partida para uma animação cultural mais constante.”
E explica a génese do festival de Jazz, como uma necessidade que “Guimarães tinha de abrir fronteiras, e de ser um ponto de partida para uma animação cultural mais constante”. E para “reinventar algo”, abrindo “um caminho” com “uma linguagem própria”, associada a vários temas.
Destacou a consolidação do Guimarães Jazz, a nível nacional, partilhado por um público que representa um universo de cerca de cinco mil fiéis que acorrem a Guimarães em cada edição.
Agora, a missão, diz o presidente de A Oficina, “é ir atrás dos não públicos” que estão afastados da cultura e das artes. E continuar, como referiu, a vereadora da Cultura, Isabel Ferreira, “um evento associado à cultura”.
O Guimarães Jazz continua a ser um evento organizado pelo Convívio Associação Cultural e Recreativa – onde nasceu a ideia – do Município que passou a sustentá-lo financeiramente e, mais recentemente, delegou esse papel na A Oficina.
O livro tem textos de Esser Jorge Silva e de Susana Sardo (Centro de Estudos de Jazz da Universidade de Aveiro) que aborda o Guimarães Jazz como infra-estrutura, algo que “em Portugal, existiu antes de existirem condições para que existisse”.
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