Miguel Leite
Natural de Guimarães, Fisioterapeuta Licenciado, com mais de 10 anos de experiência profissional, tendo já tido várias experiências profissionais (meio hospitalar, clínica, ensino especial em escolas e meio desportivo/desporto de alta competição). É também Pós Graduado em Fisiologia do Exercício e Fisioterapia Cardiorrespiratória. Têm outras formações complementares relacionadas com a sua profissão. Faz parte dos Bombeiros Voluntários de Guimarães, pertencendo desta forma ao atual corpo ativo da corporação vimaranense.

Claraboia da verdade

Quando nascemos somos postos à prova logo após o primeiro “clarão”, que invade os nossos sentidos ainda pouco estimulados, para uma realidade exterior ainda desconhecida.

Crescemos atarefados no meio de uma sociedade que nos tenta absorver a cada segundo, sem muitas vezes nos dar espaço para poder sonhar de forma plena e abstrata.

Hoje em dia somos controlados por sistemas altamente tecnológicos (cartão multibanco; sistemas de localização integrados em objetos de telecomunicação; entre tantos outros), que sabem literalmente cada passo que efetuamos.

Sociedades distintas, culturas marcantes e realidades muitas vezes cruéis são algumas das visões que verificamos no nosso planeta que nos acolhe diariamente e pelo qual deveríamos escutar mais vezes.

Têm sido uma constante as reportagens relativas às diferentes imagens da resposta do mundo dos profissionais da saúde na luta por milhões de vidas, e muitas vezes contra sistemas politizados que defendem tudo menos a vida e estão mais preocupados com a economia marginal do interesse de alguns em prejuízo de quem faz girar a roda. Uma luta desigual que têm milhares de anos e que teima em continuar.

Já muitas vezes se colocou o sistema de saúde do nosso país em causa por diversos motivos, e é certo que não sendo perfeito, e claro que, carecendo de ajustes como qualquer outro sistema, é uma valência única e praticamente inexistente noutros países e que me faz questionar como é possível nos tempos atuais de tanta evolução tecnológica, tanta investigação científica, haver seres humanos por esse mundo fora a morrer porque não tem acesso a oxigénio? Como se permite existir doentes sem acesso a medicação (muitas vezes básica como um simples analgésico), para poderem prolongar as suas vidas quando só vivemos uma vez? Eu questiono-me muitas vezes se os altos representantes mundiais já projetaram algumas vez os seus campos visuais para o que se passa além-fronteiras de cada um dos seus países?

Poderia enumerar outros tantos exemplos, porém poucos são aqueles que tendem a atribuir um apoio uniformizado dos direitos à saúde igual para todos…

Sistemas de saúde praticamente inexistentes (por exemplo: Índia); privatização da saúde (claramente saúde para os mais ricos – por exemplo: Estados Unidos da América); assim vai a nossa esfera terrestre. Poderia enumerar outros tantos exemplos, porém poucos são aqueles que tendem a atribuir um apoio uniformizado dos direitos à saúde igual para todos.

Porque vivemos neste desequilíbrio que tende a ser crescente entre os ricos e os pobres? Não deveríamos apoiarmo-nos mutuamente na luta pela vida, ou somos meros números diários atribuídos pela comunicação social de quem vive ou morre, seja em contexto pandémico ou de conflito armado?

Segundo as Nações Unidas existem 783 milhões de pessoas que vivem abaixo do limiar internacional da pobreza de 1,90 dólares por dia.

É preciso sermos esclarecidos para reverter a realidade em que vivemos e não podemos continuar alimentar ícones de gravata.

A Organização Mundial da Saúde destaca “13 desafios” para os próximos anos, sendo que gostaria de destacar alguns, como por exemplo: “manter serviços de saúde limpos; destacar importância da saúde no debate sobre clima; cuidados em locais de conflito e crises; tornar os cuidados de saúde mais justos; melhorar o acesso a medicamentos; preparação contra epidemias; investir nos funcionários de saúde e ganhar a confiança das pessoas.”

A saúde tem que ser necessariamente uma esperança de pura igualdade para todos sem exceção. As muralhas são colocadas por nós, da mesma forma que podem e devem ser removidas por nós.

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