José Eduardo Guimarães
Da imprensa local (Notícias de Guimarães, Toural e Expresso do Ave), à regional (Correio do Minho), da desportiva (Off-Side, O Jogo) à nacional (Público, ANOP e Lusa), do jornal à agência, sempre com a mesma vontade de contar histórias, ouvir pessoas, escrever e fotografar, numa paixão infindável pelo jornalismo, de qualidade (que dá mais trabalho), eis o resultado de um percurso também como director mas sempre com o mesmo espírito de jornalista… 30 anos de jornalismo que falam por si!

Professores de jornalismo!

Há muita gente, democrata ou dita como tal, que se dá mal com o pensamento livre. E quando ele é vertido nas páginas dos jornais, então é um valha-nos Deus, de choraminguices e outras revelações graves de uma mente submissa que procura escape no que os outros dizem mas eles não podem e não têm coragem de dizer.

Quem faz críticas aos jornalistas ou a quem comenta a realidade, espelhando a sua opinião, e sendo fiel ao seu pensamento, é um fraco e um subserviente porque se há coisa que Abril nos legou foi a liberdade de imprensa e de opinião.

Vai daí, estes guardiões do templo, que nunca souberam o que é o jornalismo para além de debitarem umas tantas tretas encobertadas num conjunto de palavras escritas num vulgar papel, que nunca leram o código deontológico da profissão, sequer a lei de imprensa e muito menos foram acompanhando as tendências do jornalismo, no mundo e em países diversos, logo saem como “professores de coisa nenhuma” a gritar aqui d’el rei que o jornalismo é coisa séria e a sério.

Claro que o jornalismo só é coisa séria para quem o exerce, como profissão e não como hobby ou porque dá jeito, procurando baralhar a opinião pública com textos mais intelectuais do que normais. Esses professores esquecem o que foram e o que não foram, nem conseguiram ser, perdem a memória e já confundem quem fez por quem eles entendem que devia fazer.

Mesmo na política, alguns da nossa praça que nunca viveram períodos de contestação democrática, que confundem o espaço de liberdade com o seu cantinho, onde se acantonam, sem experimentar mais vivências ou sequer ler e informar-se, estes também se arrogam de querer ensinar o padre nosso a quem o sabe e pratica. E desatam a desfiar conceitos que só jornalista entende, sobre a concepção da notícia, achando que o jornalismo não tem filosofia ou essência, atributos e finalidade.

São esses que armados em professores de coisa nenhuma julgam que debitando algumas banalidades, associadas a chavões da actividade jornalística, julgam poder avaliar e condenar um facto simples: a interpretação (dos factos) é uma das características básicas do jornalismo.

Para esses iletrados em jornalismo bastaria lembrar-lhes o que defendeu Robert Bottorf quando em funções no Wall Street Journal, sobre as reportagens profundas do seu jornal, que elas “tratam de oferecer aos leitores tudo o que necessitam saber sobre um facto dado”

E como nada percebem desta e de coisa nenhuma, confundem estilos jornalísticos e resumem-nos a um só, que melhor possa espelhar os seus interesses. Para esses iletrados em jornalismo bastaria lembrar-lhes o que defendeu Robert Bottorf quando em funções no Wall Street Journal, sobre as reportagens profundas do seu jornal, que elas “tratam de oferecer aos leitores tudo o que necessitam saber sobre um facto dado”, quando se supõe que o leitor nada sobre esse facto.

E que, em Guimarães, há quem faça jornalismo, analisando, entrevistando, perguntando, investigando. E não fazendo de conta que é jornalismo só porque não incomoda ou contorna a realidade. Ou seja, fazendo muito mais do que colocar um microfone à frente de um político, seja qual for o seu género, apenas dando dicas ou insinuando perguntas que não faz.

O jornalista analisa, recolhe dados interpreta e constrói a matéria com que se apresenta aos leitores, sem se preocupar se o que escreve magoa o Tónio ou aleija o Quim. É evidente que há quem não entenda este jornalismo de interpretação que é um exercício de inteligência e do discernimento de quem o faz, sem temer trabalhar, indo além da mera rotina de transcrever press-releases, tão banais que apenas registam a ordem do dia ou se limitam cumprir uma agenda que de comunicação não tem nada, nem se enquadra no que são hoje as premissas essenciais de uma comunicação corporativa.

Sempre foi claro que quem não incomoda não é lido, quem não fala verdade aos seus leitores não tem audiência nem é respeitado, sequer conhecido. Se perguntarem, na rua, quem é um tal Silva que um dia quis ser jornalista, ninguém sabe ou responde porque dos fracos não reza a história.

São esses que ajudam o poder instalado a chular verdadeiramente a imprensa regional que não tem reconhecimento ao nível local mas tem o seu papel reconhecido pelo Estado, que querem mingue apoios ou prebendas, com um estilo editorial macio que não incomode, recebendo pela porta traseira, apoios que deviam ser claros e uniformes e dados pela porta da frente.

São esses que saem do jornalismo para uma empresa qualquer apenas porque se habituaram a louvar quando deviam questionar. Contra tudo e contra todos, Guimarães, agora! manterá o seu rumo, mesmo que a Vimágua continue a pagar gato por lebre ou que o senhor presidente da Junta entenda que o Facebook lhe (não) dá a projecção que interessa e ele entende como justa.

© 2020 Guimarães, agora!

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