José Eduardo Guimarães
Da imprensa local (Notícias de Guimarães, Toural e Expresso do Ave), à regional (Correio do Minho), da desportiva (Off-Side, O Jogo) à nacional (Público, ANOP e Lusa), do jornal à agência, sempre com a mesma vontade de contar histórias, ouvir pessoas, escrever e fotografar, numa paixão infindável pelo jornalismo, de qualidade (que dá mais trabalho), eis o resultado de um percurso também como director mas sempre com o mesmo espírito de jornalista… 30 anos de jornalismo que falam por si!

Não há (no PS) respeito pela verdade e pela história?

A moda de derrubar estátuas – de figuras que marcam a nossa história – feitas de bronze ou outra matéria qualquer, de forma cega e ignorante, também chegou à política, com a intenção de derrubar estátuas humanas – que vivem – de figuras que marcam a história colectiva de Guimarães.
Este vandalismo moral é perpetrado por quem vai ficar na história por coisa nenhuma. A recente tentativa de Joaquim Barreto – julgando estar a fazer favores a alguém – de derrubar a “estátua moral e política” de António Magalhães – cujas décadas de governação municipal ficarão na história de Guimarães – é um exemplo.

“Joaquim Barreto não se limita a querer puxar António Magalhães para o seu nível como insulta um inusitado número de vimaranenses…”

Na ponta da lança desta tentativa de deita abaixo da estátua moral e humana do ex-presidente da Câmara, estão as eleições da Federação distrital do PS, em que ambos se posicionaram em campos diferentes, em legítimas escolhas políticas, de vivência partidária.
Ao jeito de críticas “espelho”, Joaquim Barreto não se limita a querer puxar António Magalhães para o seu nível como insulta um inusitado número de vimaranenses – socialistas e não socialistas – que se foram revendo no autarca para representar Guimarães, ao longo de sucessivos anos e mandatos e em quem votaram sempre por maioria absoluta.

O direito de Joaquim Barreto divergir, partidariamente, de António Magalhães é natural e não se questiona. Mas a pretensão – a pedido se calhar de diversos fregueses – de diminuir a sua função de presidente da Câmara – porque é disso que se trata – é coisa indesculpável para Joaquim Barreto, que não tem o currículo político, a categoria social e a dimensão ética ou visão política para se equiparar, nem no partido, nem na vida local e nacional, com um seu conterrâneo que veio para Guimarães fazer a sua vida e onde se sentiu sempre bem até hoje. E respeitado por todos.
Daí que as alfinetadas, no jornal “Mais Guimarães”, de que Magalhães “a última imagem que deixa é a de um certo revanchismo contra o PS”, é mesmo de provocação e mau gosto. E uma omissão da história e de um currículo partidário que poucos terão na região.

E porquê?
Porque António Magalhães é um ícone do PS local, distrital e nacional, nunca foi um “tachista”, foi sempre humilde e respeitado, lidou na Assembleia da República – então como deputado – com figuras gratas do pós-25 de Abril – mais democrático do que agora – não apenas do PS como de outros partidos. Num período, em que a democracia era mais verdadeira, mais ideológica e menos interesseira. Ou até à base de cacique. António Magalhães convivia no Parlamento com professores da política – alta política – e não da político-dependência, de mercearia, lidando com vultos que ainda hoje se recordam como Salgado Zenha, Álvaro Cunhal, Vital Moreira, Sá Carneiro, Freitas do Amaral, Magalhães Mota, Amaro da Costa, num cosmopolitismo político – partidário – onde nasceu o Portugal democrático, de hoje.
O ex-presidente da Câmara dada a sua dimensão cultural e política, nunca quis ser um “caixeiro-viajante” da política.

© Direitos Reservados

O que se conhece dele não são “tiques autocráticos” – quiçá qualidades de Deuses menores; isso sim, reconhece-lhe uma liderança firme mas democrática, aberta mas tolerante, menos partidária – porque deixou mais tempo a liderança do PS local a outros dirigentes – mas sempre abrangente e respeitosa para com quem trabalhou com ele na gestão municipal.
Ao querer dar – de Magalhães – a imagem de um político com tiques autocráticos, Barreto coloca-se diante do espelho, a mirar o seu milagre de diminuição da representação dos delegados do PS distrital – não proporcional ao número de militantes – método constitucional e interno da representação política, para impôr os seus ditames de “dono disto tudo”, como se não houvesse estatutos e apenas a sua vontade, querendo ser mais Wood – dos bosques – que o célebre Robin inglês.

Não há capricho pessoal que explique que um presidente possa usar as suas regras matemáticas – não convencionadas – de impôr a sua vontade e a regra de que é sempre arbitrária a ordem dos factores. Ou seja: a representação política, tem sempre como justificação um universo eleitoral, que não pode ser distorcido, nem diminuído, apenas porque “o dono disto tudo” quer e isso interessa a uns compinchas seus. A democracia é a vontade de todos e não de uns tantos chico-espertos.
António Magalhães nunca aldabrou eleições ou desrespeitou este critério constitucional da justa e proporcional representação para se afirmar na vida política. Nem mesmo para se tornar o chefe do condomínio do seu prédio – se fosse o caso – porque a democracia para si é mais valiosa do que um cargo que se ocupe à força ou por manobras, de matemática duvidosa.

No caso político, na Federação do PS, os delegados a eleger não serão eleitos com base no número de militantes de cada concelhia, o factor que definiria o número de delegados para o congresso. Mas com a ordem imposta arbitrariamente por Barreto, contrariando os estatutos do partido que assim passam a ter duas regras: a de que as eleições para os órgãos nacionais e restantes federações respeitam o princípio da proporcionalidade dos militantes inscritos ou com direito a voto; em Braga, é o método Barreto que se impõe.
Bastava apenas este argumento para se perceber qual a estatura política e moral, de dois conterrâneos, naturais de Cabeceiras de Basto e que se encontraram na política, por diferentes motivos.

© Direitos Reservados

Tentar “aldabrar” ou ofuscar a imagem de um autarca reconhecido que deu Guimarães ao mundo, mesmo sabendo do seu prestígio junto de Presidentes da República – Mário Soares, Jorge Sampaio, Cavaco Silva – e de Primeiros-Ministros como Cavaco Silva, Durão Barroso, Santana Lopes, António Guterres e José Sócrates, é travestir um percurso político – quer se goste ou não – de alguém que soube exercer a função com elevação e competência e que nenhuma “guerrilha” partidária pode diminuir. Ainda para mais quando no rasto da sua governação ficam eventos que propagaram Guimarães na Europa e no Mundo – como a realização da Capital Europeia da Cultura e a classificação pela Unesco como património mundial do centro histórico de Guimarães, para além de obras estruturantes que são hoje emblemas de Guimarães da sua cultura, do seu desporto, do seu desenvolvimento.

Até de outros partidos. António Magalhães ganhou o respeito e admiração de gente de fora. Manuel Fraga Iribarne distinguiu Guimarães e o então seu presidente da Câmara com a condecoração maior da Junta da Galiza, para além de a Fundação Toledo ter reconhecido a reabilitação urbana de Guimarães como exemplar.
Joaquim Barreto tornou-se numa caricatura menor de António Magalhães ao tentar menosprezar e apoucar um percurso político de excelência. Mesmo a nível partidário (no PS) António Magalhães foi aquilo que nunca Joaquim Barreto conseguiu ser – mandatário distrital das candidaturas presidenciais de Mário Soares (por três vezes), de Jorge Sampaio e de Sampaio da Nóvoa – candidatos do PS -.

“Ou seja, por muito que custe a Joaquim Barreto, António Magalhães não é um militante qualquer…”

Já no tempo de António Costa, e depois de ter deixado as funções de autarca Magalhães foi até à sede do PS, no largo do Rato, com o estatuto de conselheiro especial, com mais cinco socialistas e a secretária-geral adjunta Ana Catarina Mendes – colaborar na preparação das eleições autárquicas posteriores, que exerceu com o seu militantismo reconhecido.
Ou seja, por muito que custe a Joaquim Barreto, António Magalhães não é um militante qualquer – e também tem demonstrado que não quer ser mais do que o simples e humilde militante socialista normal. E não se limitou a ser cacique na sua aldeia ou regedor à moda antiga, impondo a sua vontade aos seus humildes conterrâneos que sempre respeitou de corpo inteiro sem lhes vilipendiar a alma.

Por isso, tem um percurso nobre – também recebeu reis e rainhas no exercício das suas funções – não deixando de continuar socialista, numa disponibilidade endógena mas limitada à sua capacidade e em função do que a saúde actual lhe permite. Dizer que Magalhães deixa a imagem de “um certo revanchismo” com o partido que ajudou a implantar-se em Guimarães e no distrito, é indigno de um socialista que afinal mostra querer ser o dono de uma quinta que não é sua, embora possa dela viver.

É neste cenário, que deixo uma pergunta aos socialistas vimaranenses que convivem com Joaquim Barreto: revêm-se neste tipo de críticas, pessoais, bastardas, a um figura que deu muito ao PS e a Guimarães? Alguns dos jovens turcos que Barreto apoia estarão tão cegos que não consigam ver a dimensão verdadeira do ataque a António Magalhães. Alguns desses jovens foram até lançados por ele na política – daí que possa ser dito – sem animosidade, que ele foi o pai político de muitos que apoiam agora Joaquim Barreto.
De facto, e lembrando Martin Luther King, “o que preocupa não é grito dos maus mas o silêncio do bons” – socialistas de Guimarães que não conhecendo a história do PS só conhecem – perversamente – a sua – pouca e efémera – história na concelhia local, em Guimarães.

© 2020 Guimarães, agora!

1 COMENTÁRIO

  1. António Magalhães serviu Guimaraes de tal forma que nem o tempo nunca apagará a sua dedicação por Guimaraes, pela democracia, pelo socialismo e pela liberdade. António Magalhães merece o respeito não só dos Vimarnenses mas de todos os democratas deste País.

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