O Centro Cultural Vila Flor (CCVF) será o palco de duas criações de dança contemporânea que partem do corpo para explorar memória, desejo, juventude e transformação. ‘KITADA’, de Marga Alfeirão, e ‘A Luminosa Violência da Perfeição’, de Daniel Matos, serão apresentados no pequeno e grande auditório, a 2 e 3 de Outubro, ambos às 21h30.
‘KITADA’ é nova obra coreográfica de Marga Alfeirão, uma criação vencedora da quarta edição do projecto ‘Casa’. Interpretada por três bailarinas, a criação parte da desflorestação massiva do século XV para a construção das frotas coloniais e das consequências desse processo sobre os saberes e relações femininas com a natureza, os sonhos e as paisagens.
Marga Alfeirão investiga as trajectórias da ‘manha feminina’ a partir de relatos dos Recolhimentos do Desagravo de Montemor-o-Novo, do Conselho das Tias e das objecções de consciência do Hospital de Évora às interrupções voluntárias da gravidez. Influenciada pelas sonoridades e danças da diáspora africana em Lisboa, a coreógrafa constrói uma linguagem híbrida e afirmativa, onde o erotismo, as memórias afectivas geracionais e o prazer surgem como formas de resistência e de resgate.
Esta nova criação dá continuidade ao percurso de Marga Alfeirão na investigação de corpos, desejos e memórias, depois do dueto ‘LOUNGE’.
‘A Luminosa Violência da Perfeição’, de Daniel Matos, é uma criação que coloca o corpo da juventude em confronto com a passagem do tempo, a velocidade, a memória e a própria ideia de futuro. Partindo das imagens evocadas pela ‘Pavana para uma Infanta Defunta’, de Maurice Ravel, uma dança lenta, processional e melancólica, Daniel Matos constrói uma coreografia interminável, incontrolável. Entre cavalarias, corpos jovens, cavalos e éguas selvagens, a criação questiona a possibilidade de escapar a um futuro já anunciado, num movimento contínuo entre a vida, a morte e a transformação.
Coreógrafo, performer e artista plástico, Daniel Matos desenvolve um trabalho multidisciplinar onde o corpo é entendido como campo biográfico e o presente como espaço político, de transgressão, ritual e afecto. Com um percurso internacional enquanto criador e intérprete, e depois de criações como ‘Vara’ (2022) e ‘A Pedra, A Mágoa’ (2024), e várias distinções relacionadas, Daniel Matos apresenta agora uma nova obra com co-criação e interpretação de Lia Vohlgemuth, Joana Simões, Claudio Murabito, Margarida Paiva, Florencia Martina e Nuno Velosa, e música original de Joana Guerra.
‘A Luminosa Violência da Perfeição’ é uma co-produção do Teatro das Figuras, Centro Cultural Vila Flor, Cine-Teatro de Torres Vedras, Teatro Municipal da Covilhã e Município de Lagos.
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