A Oficina: mudanças na nova estrutura de direcção e programação artística

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Bruno dos Reis assume direcção artística do Centro Cultural Vila Flor (CCVF), Cristina Planas Leitão do GUIdance e Paulo Dumas na programação de música.

O novo director artístico do CCVF, já é conhecido porque a sua nomeação dá continuidade ao trabalho na direcção artística do Teatro Oficina, desde 2025. Nas novas funções, será responsável pelo projecto artístico do CCVF e assegurará a transição para a nova direcção artística do Teatro Oficina que será operada durante o próximo ano.

Cristina Planas Leitão assume a direcção artística do ‘Festival Internacional de Dança Contemporânea GUIdance’. E assegura, também, a consultoria artística para a programação de dança do CCVF na temporada regular, enquanto Paulo Dumas assume a responsabilidade pela programação de música.

Com a nomeação de novos responsáveis artísticos o CCVF dá início à era Esser Jorge Silva. © Direitos Reservados

“Reconhecemos-lhe a capacidade de desenvolver um projecto artístico singular para o CCVF, abrindo novas possibilidades de criação e programação e reforçando a sua relevância nacional e internacional.”

Esser Jorge Silva, presidente executivo de A Oficina, justifica as escolhas: a de Bruno Reis na visão artística, na capacidade criativa e no seu dinamismo. “O Bruno tem demonstrado uma visão abrangente da criação artística, aliada à capacidade de mobilizar equipas e concretizar projectos. É inquieto por natureza, alguém que questiona, experimenta, concretiza, com uma exigência que o leva a desafiar as suas próprias ideias. Reconhecemos-lhe a capacidade de desenvolver um projecto artístico singular para o CCVF, abrindo novas possibilidades de criação e programação e reforçando a sua relevância nacional e internacional”.

A equipa artística terá total autonomia para definir o projecto e a programação do Centro Cultural Vila Flor, no quadro da missão de A Oficina, sublinha a nota de imprensa divulgada, esta manhã. “A nossa responsabilidade é assegurar as condições para que desenvolva esse trabalho com liberdade de criação e de programação, abertura à diversidade de expressões artísticas e responsabilidade perante os artistas e os públicos. A confiança que depositamos nesta equipa traduz-se no respeito pelas suas escolhas artísticas”, acrescenta o presidente executivo.

Um centro cultural aberto ao presente

Desde a sua inauguração, o Centro Cultural Vila Flor tem desempenhado um papel fundamental na afirmação cultural de Guimarães e no desenvolvimento do panorama artístico nacional, contribuindo para a consolidação de percursos artísticos e para a criação de circuitos de programação que ajudaram a transformar o panorama cultural português. Bruno dos Reis, reconhece esse legado e, sobretudo, o trabalho das muitas pessoas que o construíram ao longo de mais de duas décadas. “É importante reconhecê-lo: é um equipamento que transformou vidas”, realça.

Partindo desse reconhecimento, o novo director artístico propõe pensar o CCVF enquanto lugar de encontro, aberto à cidade, aos artistas e às múltiplas realidades que o atravessam. “Um centro será sempre tão mais perigoso quanto menos se entender como uma praça, como um local que deve ser permanentemente atravessado e construído precisamente pela fortuitidade dos encontros que o vão ocupando”, declara Bruno dos Reis, citado pela A Oficina.

Esta visão coloca no centro do projecto artístico a capacidade de observar e interrogar o presente, reconhecendo aquilo que permanece menos visível. “Talvez essa seja a derradeira missão de um equipamento que foi construído para servir a imaginação: reconhecer o invisível. E se é um vício antigo exigirmos dos artistas uma certa capacidade mediúnica com o futuro, talvez fosse hora de reconhecer que nada é mais importante para um equipamento do que ter a mesma capacidade relativamente ao presente”, acrescenta o novo director do CCVF.

Algumas das linhas de trabalho já estão definidas para o CCVF: promover a regularidade e a clareza da programação ao longo do ano; explorar diferentes formatos de apresentação e de encontro entre artistas, obras e públicos; criar espaços de pensamento crítico e questionamento, incluindo sobre o papel da própria instituição; reflectir sobre as estratégias de apoio à formação e ao desenvolvimento do território; e aprofundar as relações com as gerações mais jovens e com os circuitos artísticos nacionais e internacionais.

Em 2027, esta abordagem começará a ganhar expressão através de uma programação regular e dos ciclos de pensamento que a acompanham, acrescenta, também, a nota da cooperativa cultural.

O apoio à criação e à co-produção continuará a ser uma dimensão importante do projecto. Entre as iniciativas previstas está o ‘OUPA’, um programa de bolsas de formação para a criação que permitirá a jovens com ligação ao território integrar equipas profissionais de criações co-produzidas pelo CCVF.

A relação com Guimarães será desenvolvida através do trabalho com artistas, técnicos, estudantes, escolas e comunidades, procurando criar condições para a experimentação, a aprendizagem e a participação nos processos artísticos.

Em articulação com a equipa de Educação e Mediação Cultural, o projecto contempla ainda o desenvolvimento da programação dirigida a crianças, jovens e públicos escolares, bem como a continuidade do trabalho de identificação e redução das barreiras físicas, económicas, comunicacionais e simbólicas à participação.

Os novos rostos da programação artística de A Oficina. © Direitos Reservados

GUIdance 2027 marca o início de um novo ciclo

Cristina Planas Leitão será nova directora artística do GUIdance e terá funções na consultoria artística para a programação de dança do CCVF. A coreógrafa e programadora assume estas funções reconhecendo o percurso do festival e o contributo das equipas, artistas e parceiros que construíram a sua identidade.

“Penso o GUIdance 2027 como uma edição de viragem: o início de um processo progressivo, que começa já a apontar novas direções e a construir solidamente as bases para os seus desdobramentos”, salienta.

Vai reafirmar a centralidade da dança na sua proposta de afirmação do festival à diversidade das práticas coreográficas contemporâneas, aos cruzamentos entre disciplinas e às diferentes formas de ler e interrogar o presente, mantendo-se um festival de grande escala internacional. “Não me interessa uma dança que tenha necessariamente de ilustrar um discurso ou oferecer respostas, mas aquela que é capaz de produzir experiência, conhecimento e imaginação; de suspender automatismos, deslocar hábitos e abrir fissuras naquilo que parecia garantido”, adiantou, ainda, na nota de A Oficina.

“Um festival onde seja possível permanecer e onde a experiência da dança se prolongue para além dos espectáculos, nos espaços, nas conversas e nos encontros.”

A relação com Guimarães será central neste novo ciclo, com desenvolvimento gradual e maior expressão a partir de 2028. Cristina Planas Leitão propõe um festival que percorra a cidade, trabalhe diferentes escalas e reforce progressivamente a co-produção, a circulação e as relações continuadas com artistas e estruturas nacionais e internacionais. “Um festival onde seja possível permanecer e onde a experiência da dança se prolongue para além dos espectáculos, nos espaços, nas conversas e nos encontros”, acrescentou.

Paulo Dumas, até agora assistente de direcção artística do CCVF, passa a assumir a programação de música do Centro Cultural Vila Flor, em articulação com o director artístico e em consonância com o projecto artístico do equipamento.

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