“Este projecto terá um grande sucesso e terá sido um êxito se no futuro Guimarães for o local onde há mais investimento”

| O diagnóstico, o retrato de Guimarães, o horizonte temporal de realização |

Falemos do “Gabinete de crise”

…de Transição Económica… a crise já acabou!

Sim, o plano de acção, entretanto, elaborado, corresponde a algum diagnóstico sobre Guimarães?

Corresponde a um conhecimento quer da realidade de Guimarães quer da realidade do contexto que atravessamos. E é resultado dessas duas realidades. A Câmara Municipal tem um conhecimento profundo e detalhado da realidade municipal. Depois foi complementado com a análise de estudos prospectivos que se fazem a nível regional, em vários locais da Europa, quer a nível internacional sobre as tendências que já existiam antes da Covid-19, que são a digitalização e as questões energéticas e ambientais, e dos contextos que resultam do pós Covid-19 que mais não são do que o reforço das tendências que vinham já agitando o mundo, a digitalização, a sustentatibilidade e a energia. A reorganização dos blocos económicos, a nível mundial, também foi tida em conta, que será geradora de novas oportunidades em que acreditamos, ligada a um novo contexto de industrialização que porá em causa as tendências dos últimos 20 anos, em que a indústria se deslocalizou para Oriente e que motivou aquilo que foi mais evidente: a quase perda de alguma soberania nacional, dadas as limitações e a incapacidade de os países produzirem alguns bens essenciais. Portanto, o contexto que leva a esse plano é esse…

Que Guimarães viu nesse olhar, ainda que rápido sobre a realidade?

Foi um concelho diverso, com algumas características nacionais. No contexto da região em que se insere, Guimarães apresenta-se como um concelho mais atomizado que outros, de pequenas unidades industriais, sem ter, aquilo a eu chamo porta-aviões do ponto de vista industrial. Nesse retrato Guimarães está entre os 10 maiores concelhos exportadores. Na região do Minho e Ave Guimarães ocupa a posição 7, Famalicão a posição 3 e Braga a posição 5. Discriminando melhor, Famalicão tem 2,5 mil milhões de exportações em que só a Continental vale cerca de 1,8 mil milhões; Braga faz 2 mil milhões no total mas a Bosch e a Aptiv – as duas têm um volume exportador de 1,5 mil milhões e as restantes 0,5 mil milhões; Guimarães tem 1,6 mil milhões de exportações, a sua maior exportadora não chega a 300 milhões e o resto enquadra-se num tecido exportador disperso, assente na indústria tradicional mais do que noutros sectores, onde continua a imperar o têxtil, calçado e cutelarias, numa região em que já se sente o sector automóvel com alguma expressão. O que se nota é que Guimarães tem desafios de crescimento, assentes num universo de pequenas e médias empresas (no contexto europeu) enquanto os concelhos ao lado fazem o seu crescimento a partir de empresas de grande fôlego, os tais porta-aviões de que falei. E que geram à sua volta cadeias de fornecimento com dimensão. Guimarães tem, pois, a sua realidade própria que tem de se levar em conta e o desafio está, em paralelo, em desenvolver um tecido económico novo, conservando a força da indústria tradicional, o maior património de Guimarães.

Nesse olhar, o que podemos ver em termos de inovação e ciência?

Aí é certamente algo que Guimarães tem que se compara muito bem com o contexto nacional…

Está a referir-se à importância da UMinho e do seu contributo nessas áreas específicas?

Veja-se o peso que têm os centros de investigação e centros de ID e a formação de ensino superior face à população do concelho. Guimarães é um dos concelhos cuja relação é boa, há uma capacidade instalada muito boa. A força da inovação e da ciência é sempre um assunto não resolvido, aqui e em todo o lado porque a articulação destes centros de investigação com o tecido envolvente nunca é fácil. Mas temos coisas interessantes e é bom que os centros de inovação irradiem daqui para o país e para o mundo.

Mas sempre muito ligados à Universidade?

À Universidade e agora, num novo contexto, ao IPCA – Instituto Politécnico do Cávado e Ave.

Mas não é aí que devem estar?

Não sei se é… mas que devem estar ligados à Universidade, claramente e com níveis de ligação mais ou menos diversa.

As próprias empresas também deveriam ter – e algumas terão – os seus centros de ID?

Estes processos de inovação e ciência só se desenvolvem se as próprias empresas tiverem os seus próprios núcleos de ID, à sua dimensão e na sua estrutura como um processo de desenvolvimento natural. A diversidade de estruturas e de centros de investigação ligados à Universidade tem dimensão e são totalmente da responsabilidade da Universidade.

Alguns exemplos?

O DTx Digital Transformation CoLab – há-de estar aqui dentro, na Universidade, que de um ponto de vista de capacidade de gestão e decisão tem apenas 8% da sociedade que o gere… e o António Cunha no conselho de administração. Os restantes membros são empresas. Aqui o que é feito é o que as empresas pretendem.

O plano do Gabinete de Transição Económica prevê dois centros de ID…

…totalmente diversos, sendo um na ex-fábrica do Arquinho, destinado à engenharia espacial, é um centro da Universidade, com instalação da Universidade e que será gerido pela Universidade. O da fábrica do Alto, é um conjunto de várias estruturas uma pertencente à UMinho outras não sendo pois uma delas vai ser gerida a partir de uma dinâmica com grande envolvimento da comunidade empresarial.

Qual é o horizonte, em anos, deste plano, pois quem o lê chega à conclusão que não é para ontem nem para hoje?

O plano tem um horizonte tipicamente de médio prazo, de 4 a 5 anos. Quando se pretende fazer alguns investimentos que envolvem uma grande obra pública, estamos a falar de tempos para fazer o projecto, aprovar projectos, e regular o processo de aquisição e de construção…dificilmente conseguimos fazer algo em menos de quatro anos… Esse é o tempo de um projecto desta natureza… os projectos não deixam de ser marcados pelos tempos autárquicos, e não deixa de ser um projecto assumido por uma autarquia, também isso aponta para um horizonte de 4 a 5 anos.

No retrato que tirou a Guimarães, como se enquadra a Universidade do Minho e o seu campus de Azurém? A UMinho também tem um papel…

…muito grande. Veja que tem aqui cinco mil estudantes de engenharia mais alguns estudantes de outras áreas, design, teatro, geografia, é uma aposta fortíssima em tecnologia o que aqui é feito e a massa crítica que aqui tem de docentes e investigadores.

Guimarães seria diferente sem a Universidade?

Não tenho qualquer dúvida disso. E nenhum vimaranense hoje tem. Nem um plano destes era possível fazer-se se não tivesse uma estrutura como a UMinho, claramente. Uma coisa totalmente diferente, e sem críticas a passado, porque isto é aqui mas é também verdade nos Estados Unidos, na Europa: a questão da relação universidade com a sociedade é um processo que não está e nunca estará totalmente acabado e construído e vamos querer sempre mais e mais. Temos razão para estar contentes com o que temos mas não significa estar sossegado.

© 2020 Guimarães, agora!

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