O Monumento Vimaranense à ‘Revolução de 1820’

1 – Comemora-se, neste ano, o bicentenário da Revolução Liberal de 1820 (Porto, 24.08.1820).

Apesar das utopias em que se envolveu, ela introduziu o Liberalismo e o Parlamentarismo, em Portugal, e apontou ao país pobre, desorganizado, caciquista… um horizonte para o seu desenvolvimento.

Os Revolucionários conseguiram que o Rei D. João VI, enquanto garante da ‘consciência nacional’, regressasse do Brasil, onde se tinha exilado (1808), escapando às Invasões Francesas, e que, contando com a sua presença, fossem instituídas ‘Cortes Constitucionais’ e formado um ‘Governo Progressista’.

Eles acreditaram que o país, participante do ‘Reino Unido’ (união de Portugal, Brasil e o resto do Império, desde 1815), alcançaria, através da Revolução, o desenvolvimento e a prosperidade.

A ‘Fonte Majestosa’ – monumento dedicado à Revolução Liberal de 1820, no Largo da Misericórdia, Guimarães.

2 – Foram erigidos monumentos à Revolução, em cidades como Porto, Lisboa e Funchal, mas todos de ‘arte efémera’, ou seja: criados em materiais perecíveis, que, depois de servirem, foram retirados.

Daí que cidades como Porto e Lisboa estejam, presentemente, empenhadas em edificar um monumento ‘perene’ em memória dessa Revolução.

Mas a afirmação que tem sido feita de que não existe, no país, qualquer monumento à Revolução de 1820, está absolutamente errada.

Guimarães possui ‘esse’ monumento – a sua ‘Fonte Majestosa’, no Largo da Misericórdia/Largo João Franco, que celebra, solenemente, as grandes intenções da Revolução de 1820.

Nela, está registada a seguinte inscrição: “IOAÕ PRIMEIRO REI DO REINO UNIDO; / MENISTRO AqVI FES POR A’ESTEVAÕ IVSTO; / O qVAL COM ESTA FONTE MAGESTOZA, / ORNOV A PATRIA DO PRIMEIRO AVGVSTO. / ANNO DE I820”.

Ou seja: um ‘ministro’ (Francisco Barroso Pereira) fez o juiz de fora e presidente da câmara de Guimarães (Estêvão Ferreira da Cruz) edificar essa Fonte Majestosa, homenageando o Rei D. João I do Reino Unido (D. João VI de Portugal) e engrandecendo Guimarães.

O monumento é muito expressivo: as formas harmoniosas e suaves, o escudo (o Rei), a Esfera Armilar (o Reino Unido), a estrutura simétrica almofadada (organização e desenvolvimento), a mensagem inscrita na pedra (esperança no futuro), a água corrente (movimento e vida)…

Pronunciei-me sobre ele em: Os Largos da Misericórdia e de João Franco em Guimarães. Espaços e história, 2015, pp.235-346, e Revista ‘Mais Guimarães’, Jan. 2017, pp.24-25.

3 – Cidades como Porto e Lisboa desejariam possuir um monumento como este, mas não o conseguiram ter.

Guimarães, que tem a honra de o possuir, tem, igualmente, o dever de o preservar e divulgar, e fazer dele um ‘aproveitamento formativo’…

Guimarães, que tem a honra de o possuir, tem, igualmente, o dever de o preservar e divulgar, e fazer dele um ‘aproveitamento formativo’ – incluindo-o nas iniciativas educativas, culturais e turísticas do município e colocando, a seu lado, uma breve informação a explicá-lo.

É um mínimo de justiça, para com este monumento insigne a essa data singular.

© 2020 Guimarães, agora!

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