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Guimarães
Sábado, Janeiro 28, 2023

Empresários versus homens públicos

Nos balanços de abril, quarenta e cinco anos depois, olhamos pouco para a sociedade local. Portugal libertou-se com a democracia, a descolonização, o desenvolvimento. E Guimarães?

Naturalmente que também aqui chegou a democracia política e social. O ensino para todos, o serviço nacional de saúde, as gerações seguintes que já não foram à guerra. Veio a requalificação patrimonial e com ela a cidade da cultura e do conhecimento que a universidade nos proporcionou.

Mas no plano do desenvolvimento económico não há tantas certezas. Antes de abril, Guimarães já era na perceção popular referência no Portugal industrial. Aqui se localizavam as grandes empresas da têxtil, várias, do calçado – a emblemática “Campeão Português” -, das cutelarias, também a ALFA, de capital público, na metalurgia.

Eram escolas de formação para novos investidores que ganhavam a sua “carta de alforria” passando de trabalhadores para empresários. Essa transição era o principal elevador social.

Se África ainda era um importante mercado, já a Europa, com os acordos da EFTA, começava a ser o mais rentável. Viajantes e Pracistas percorriam o país, África, e as ilhas, mas já iam à Europa.

O perfil das empresas mudou. Acabaram gigantes – como a COELIMA – milhares de trabalhadores – e ficou um universo de micro, pequenas, médias, desconhecidas do comum dos vimaranenses, com os empresários a trabalhar nelas, sem tempo e vontade de emergir como “notáveis” da terra na política, nas associações sociais e desportivas. Deixaram de ser os “senhores” que ocupavam as cadeiras da vereação municipal, as presidências do Vitória ou da “Casa dos Pobres”.

Se nos anos 60 do século passado, todos conseguiam indicar com facilidade dez/vinte dos principais empresários da terra, hoje, em qualquer inquérito de rua, poucos conseguirão indicar mais que os dedos de uma mão.

Diminuiu a robustez do nosso tecido industrial?

Não. Às centenas de fábricas de há 50 anos sucederam milhares hoje. A revolução tecnológica levou da indústria para os serviços grande parte do emprego, mas Guimarães mantém uma maioria no setor industrial. Este modernizou-se ao primeiro nível do desenvolvimento tecnológico, a mais-valia criada per capita aumentou de forma exponencial, com grande crescimento do produto.

O que justifica então a perceção popular que já não somos a riqueza produtiva de outrora?
Só há uma resposta: O refúgio dos empresários nas empresas e o seu desaparecimento de protagonismo na vida pública local.

© 2019 Guimarães, agora!

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