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Terça-feira, Julho 23, 2024

Caldelas: requalificação do Centro Cívico suscita protestos no dia da sua inauguração

Economia

Ora por causa do estacionamento, ora pelo piso, ora pelos atrasos da obra, os moradores e comerciantes ainda hoje, de manhã, fizeram ouvir os seus protestos na cerimónia de inauguração marcada para o dia especial de 24 de Junho.

Domingos Bragança, chegou de autocarro com uma comitiva enorme que o acompanha nestas inaugurações.

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E chegou à porta da sede da junta, onde um grupo de seniores pertencentes ao projecto ‘Este Lugar não é para Velhos’, um grupo de mulheres empenhadas em viver e partilhar saberes, cantou para a comunidade política vimaranense, agora encorpada com mais presidentes de junta de freguesia.

O presidente da Câmara impôs o ritmo do trajecto da inauguração, numa caminhada que o levou de Norte a Sul da obra, parando à frente da antiga Pensão Vilas, num olhar para as ruínas que se plantam no centro da vila, esta e outras, dirigindo-se depois para a área de influência da Taipas Termal.

Já defronte da igreja, foi confrontado com o senhor Martins, que disse falar em nome da paróquia – cujo padre esteve ausente da benção da obra que não se realizou.

A falta de uma escada, na fronteira da igreja, foi motivo para o cidadão tecer críticas várias ao projecto, demorando a cerimónia e com o presidente da Câmara a mostrar-se interessado em conhecer estas reclamações.

Mais à frente, passou ao lado de alguns prédios onde constava, numa tarja preta, a inscrição “A Vila das Taipas está morta”. No prédio seguinte, fechado, pintaram a frase “Roubaram-nos a nossa identidade”. Do lado oposto, perto do coreto, meia dúzia de cidadãos apupava e assobiava a comitiva, num protesto barulhento mas pacífico, liderado por uma mulher que não deixava de apertar a sua gaita, até chegar perto de Domingos Bragança, já no local onde estava a placa a descerrar, evocativa desta inauguração.

Em diálogos sucessivos com os populares, a inauguração foi concretizada. E no regresso Domingos Bragança voltou a confrontar-se com os moradores que protestavam, num cara-a-cara que nunca evitou ou temeu.

A inauguração do Centro Cívico foi atracção para a comunidade política. © GA!

Os diálogos, foram diversos, quase sempre sobre “preocupações” não resolvidas enquanto decorria a obra, com números à mistura. O presidente da Câmara defendia a empreitada com o seu valor, um cidadão dizia que as Taipas pagavam mais de IMI do que recebiam, até que na rua da Loiça, teve de ouvir mulheres que viram uma rua cortada ao trânsito onde não há estacionamento para os seus carros.

Não faltaram as bocas de alguns a dizer, entre dentes, que “só vêm cá para as procissões e para as inaugurações”, de que “isto é uma pouca vergonha”, de que o comércio está a sofrer prejuízos permanentes, de cerca de 70 ou 80%.

Aliás, os estabelecimentos do centro da vila tinham todos uma folha A3 com fundo branco e uma faixa diagonal negra que justificava outro tipo de protesto, mais silencioso.

Depois desta caminhada quente, no centro da vila, a comitiva subiu para o coreto onde houve um momento musical breve e depois os discursos.

Luís Soares, presidente da junta, num tom firme, recordou que depois da apresentação da obra, em 2013, e na discussão alargada que houve sobre o projecto, sempre tomou nota das preocupações dos moradores, acompanhando a execução do projecto e percebendo a dimensão do descontentamento que a implementação dos trabalhos trazia.

“O meu dever era receber as pessoas, e tentar dar resposta às suas preocupações” – acentuou. Mas, disse que nem todas as preocupações dos moradores foram resolvidas, pelo que advogou que “é preciso resolver rapidamente o que não foi resolvido”, pedindo “ao senhor presidente da Câmara que os compromissos que assumiu com os taipenses sejam todos concretizados”.

Sobre os protestos dos cidadãos, o presidente da junta, entendeu-os “como uma manifestação de democracia e de divergência, das quais não devemos ter medo”, aceitando como natural os protestos sempre feitos de forma pacífica.

Não deixou, contudo e apesar das críticas, de afirmar que “esta obra vai transformar o centro da vila nos próximos 50 anos, pela sua contemporaneidade” e da qual discordou ainda antes de ser eleito autarca de Caldelas.

“Continuamos a lutar pelo que não está bem” – reafirmou. Lembrando que o que foi prometido em 2017, deve ser concretizado, Luís Soares respondeu a uma moradora que “nunca virei a cara ao desenvolvimento da obra que vai transformar a vila”.

João Duarte, um popular, dizia sobre o discurso do presidente da junta “não falaste mal mas passaste a batata para o presidente da Câmara”. Manteve-se sentado no seu banco de jardim lembrando as ruínas que se espalham pela vila e o passado virtuoso das Termas das Taipas.

No entretanto, Domingos Bragança, voltou a ser saudado com apupos, da plateia mas que não o impediram de falar.

Deu importância e valor ao facto de inaugurar a obra no dia em que se celebra o nascimento de Portugal. “Quis que esta inauguração fosse neste dia simbólico para Portugal e para todos nós, nesta manhã, de festa para Guimarães”.

Recordou que, “no início do meu (primeiro) mandato, assumi um compromisso com as Taipas: requalificar a escola EB 2,3 que custou cerca de nove milhões de euros e assumi que esta centralidade se devia ligar ao parque pela avenida Rosas Guimarães, entretanto, requalificada”.

Acentuou que escolheu a Escola de Arquitectura da Universidade do Minho e a arquitecta Marta Labastida Juan para construírem a solução arquitectónica desta requalificação. “Os projectos foram aprovados por unanimidade” – recordou – e depois do concurso iniciou um diálogo para resolver questões não contempladas no projecto e que a sua execução ia colocando como exigências.

Domingos Bragança, prometeu, hoje, de manhã reconstruir a fonte de Santo António, lançar o projecto para a execução desta fonte ornamental e dar resposta às preocupações manifestadas pelos taipenses sobre a obra inaugurada.

“Não há nós e eles” – disse aos presentes, num sinal dirigido a quem evidencia sinais de separatismo, afirmando que os seus mandatos foram marcados “pela defesa da coesão do território” e por “todos sermos portugueses através do Berço de Portugal”.

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