Em busca de uma meta europeia

Recentemente a Câmara Municipal publicou a oferta de cursos de ensino profissional nas escolas de Guimarães. São 32 cursos que vão ser ministrados em cinco escolas secundárias e em quatro escolas profissionais, para um universo de cerca de 1800 alunos, no concelho de Guimarães.

A vereadora da Educação não tem dúvidas de que a oferta dos cursos do ensino profissional, adequa-se ao mercado de trabalho. A sua convicção assenta na forma e na estrutura com que foram feitos os estudos preparatórios e que justificam a oferta lançada recentemente, de modo a seduzir os estudantes, muitos dos quais continuam a olhar com desconfiança para o ensino profissional.

“Fizemos um trabalho no âmbito da CIM do Ave – Comunidade Intermunicipal do Ave –, com todas as escolas e agrupamentos, tendo em conta o índice da empregabilidade e com as necessidades de qualificação, definidas por diversas entidades” – afirma Adelina Pinto. Para a selecção desses cursos, há critérios e pontuações, em função do sector económico, que justificam as opções sobre que cursos interessam promover-se na região.

A vereadora espera que, com esta oferta, “os alunos sejam seduzidos para um ensino profissional que os capacite a ter uma via que os leve para um primeiro emprego, no fim da escolaridade, e as empresas tenham possibilidades de aumentar os seus quadros de pessoal com jovens preparados para preencher a oferta existente no mercado de trabalho. Há cursos que garantem empregabilidade – sustenta – uma vez que a oferta obedece ao definido pelo sistema de antecipação de necessidades de qualificação”.

Os cursos profissionais foram definidos para o território da CIM do Ave, pelos municípios, escolas, IEFP, Direcção Geral de Estabelecimentos Escolares, com propostas recolhidas também no SANQ – Sistema de antecipação das necessidades de qualificação – e ANGEP – Agência Nacional para a Qualificação e Ensino Profissional. As empresas são ouvidas indirectamente quando participação nos inquéritos do SANQ.

“Infelizmente não tem a dimensão que devia ter e chegar à meta europeia, de 50% de cursos do ensino secundário terem esta via profissionalizante…”

“O ensino profissional é muito importante porque é resposta de muita qualidade para muitos jovens. Infelizmente não tem a dimensão que devia ter e chegar à meta europeia, de 50% de cursos do ensino secundário terem esta via profissionalizante”.
Os cursos profissionais, nas escolas de Guimarães, rondam os 38% dos alunos que frequentam o ensino secundário, “um número manifestamente baixo” – reconhece a vereadora.

Como seduzir então mais jovens para os cursos profissionais? Adelina Pinto esclarece que “temos feito esse trabalho nas escolas, com psicólogos, com feiras para que os alunos percebam que têm uma oferta de ensino, para além do convencional que os leva até ao 12º ano pela científico-humanísticas. Um aluno que segue os cursos profissionais acaba a escolaridade muito mais qualificado – tem uma dupla certificação. Tem o curso profissional e o 12º ano, enquanto outros preferem seguir a escolaridade com a preocupação apenas de completarem o 12º ano.” E fica com possibilidades de continuar quer para o ensino superior público, via universidade, quer até ingressar no IPCA acedendo aos cursos TSP’s – Técnicos Superiores Profissionais.

A vereadora alerta que no actual quadro de escolarização obrigatória de 12 anos, os alunos podem não chegar a completar a escolaridade de 12 anos quando completam 18 anos de idade, porque não tiveram aproveitamento total. “E ficam sem nada” – lembra Adelina Pinto, significando o nada, “sem o 12º ano e sem nenhuma formação profissional”.

A missão agora é vencer esta luta, de convencer mais alunos que o ensino profissional não é um ensino de “segunda” ou de “recurso”, pois, é muito mais do que isso. E pode responder mais e melhor a quem tem outras vocações e não seguir a via tradicional das letras ou das ciências. “Precisamos muito de reforçar esta componente do ensino profissional” – conclui Adelina Pinto.

O ensino profissional não está a ser valorizado quanto deve. © Direitos Reservados

Foram 1738 alunos que frequentaram os cursos profissionais, no ano lectivo anterior, num total de 4872 alunos inscritos no ensino secundário. A escola Martins Sarmento conseguiu, pelos seus cursos, seduzir 424 alunos, o que lhe deu o primeiro lugar no ranking do ensino profissional em Guimarães, logo seguida da escola Francisco de Holanda com 340 e a Escola Secundária das Taipas com 302. Para o próximo ano lectivo, os alunos matriculados deverão manter-se na mesma bitola. Adelina Pinto, crê que ainda são precisos mais uns anos, para que o ensino profissional possa chegar aos 50% – meta da UE – dos anos que frequentam o ensino secundário, em escolas públicas e privadas.

Há, também, algumas especificidades neste mundo da educação. Por exemplo, na escola Secundária das Taipas, o curso sobre termalismo, é aberto, de dois em dois anos, por falta de alunos. No âmbito do turismo, há cursos normais para o ensino do turismo, que pode ter no turismo rural uma nova área curricular, sem qualquer sobreposição. A Cisave, com os seus cursos de design e moda passou um período difícil. E a escola Francisco de Holanda continua a manter alguns cursos, de ensino técnico, ligados à Mecânica e Automação por ter recursos físicos que podem permitir esses cursos. As escolas vão mantendo as suas opções, de ano para ano, sendo que há já cursos que são referência. Por exemplo, a Escola Martins Sarmento aposta nos cursos ligados à saúde e multimédia, a Escola Santos Simões mantém o curso na área do Desporto. Igualmente, nos cursos profissionais há a preocupação de a oferta de cursos se adequar ao sexo, com possibilidades iguais para rapazes e raparigas, sem qualquer discriminação

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