Autárquicas: vimaranenses viciados no PS

O PS continua a dominar a vida política local, e já lá vão 13 eleições autárquicas, depois do 25 de Abril, com uma maioria que lhe dá condições para ser poder como deseja e lhe apetece.



Os triunfos de António Xavier, em 1979 e 1985, à frente do PSD, já são uma miragem engolidos que foram em 11 das 13 eleições locais que colocaram socialistas na governação da cidade e do Município.

Votar no PS e nos eleitos e por si propostos a sufrágio, tornou-se num vício para os vimaranenses que renovam maiorias e candidatos, eleição após eleição.

Quem tem ambições políticas já sabe que as listas do PS são o melhor poiso. Alguns autarcas, que hoje estão na ribalta, compreenderam isso e deixaram a CDU ou o PSD e até o CDS para terem sucesso na vereação e nas Juntas de Freguesia.

Ser deputado na Assembleia Municipal, é mais por estatuto e para dizer “também, estou aqui” do que para seguir na carreira política local. Mas nem todos pensam assim e às vezes até dá jeito ser líder parlamentar ou deputado bem falante. Também em termos profissionais.

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Domingos Bragança, renova o seu mandato na Câmara Municipal, pela terceira vez enquanto presidente. No seu terceiro e último mandato conseguiu aquilo que António Magalhães obteve em 1993 e 2009, isto é acrescentar mais um vereador à maioria já de si absoluta.

Foi por isso, que o sétimo da lista, passou a ser um lugar cobiçado porque se o Diabo as tecer, pode proporcionar mesmo o direito a sentar-se nas cadeiras da vereação executiva, um lugar potencialmente remunerado, com pelouro atribuído.

Curiosamente, em 1993, foi Domingos Bragança o sortudo, pois o 7º lugar abriu-lhe as portas da vereação executiva situação que perdura até hoje. E que lhe permitiu marcar lugar na corrida presidencial que, como se sabe, começou em 1993, depois de António Magalhães ter acabado o seu reinado por causa da limitação de mandatos.

Há outro, sortudo, que em 2009, também lhe saiu o lugar de sétimo na vereação: José Augusto Araújo, professor da Escola Secundária das Taipas.

Hoje, a beneficiada é Ana Maria Prego de Faria Berkeley Cotter, que tendo sido prestadora de serviços, a recibo verde, do Município nunca teve qualquer ligação ao PS mas acabou protegida por Domingos Bragança – que já lhe tinha reservado um lugar no elenco de assessores políticos e que neste tal sétimo lugar passa mesmo para a vereação.

Bragança quebrou a tradição de reservar o 7º lugar para um presidente da Junta pelo seu trabalho partidário e inverte a tendência, em nome da inclusão de independentes, deixando quem há já muito se bate por ajudar o PS a manter a sua hegemonia em Guimarães. Vítor Oliveira, chefe de gabinete de Bragança estaria na calha para este lugar mas o 8º que lhe foi oferecido foi recusado.

Bragança renova o mandato, após o cisma de Ricardo Costa que com Seara de Sá deixaram de ser vereadores, trocados por Paulo Silva e Nelson Felgueiras, este imposto por Luís Soares como “vereador da concelhia”, como se os restantes não fossem socialistas, de longa data ou com ligações recentes ao partido.

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Para alguns, a eleição do sétimo vereador do PS tem subjacente um conjunto de variáveis que não têm apenas a ver com a questão da mercearia socialista para atribuição de lugares. As opções da oposição, neste caso da Coligação Juntos por Guimarães, na escolha do seu candidato também podem explicar como o PS acrescentou mais um vereador à sua maioria.

Bruno Fernandes, que se junta à extensa lista de candidatos a presidente da Câmara, que coligados ou separadamente, PSD e CDS têm apresentado, é a mais recente vítima do poder socialista.

E no confronto com Bragança não fez melhor que André Coelho Lima, também, trucidado, em 1993 e 1997. O candidato também presidente da comissão política do PSD, obteve um resultado que leva a Coligação com o CDS, para números anteriores a 1993.

Se a Coligação Juntos por Guimarães se ufana da estabilidade política que abona em seu favor, a verdade é que os votos agora conquistados são inferiores em 105 em relação à eleição de 1993 e de 5384 em relação à eleição de 1997, o que explica também porque é que Ana Maria Cotter foi eleita.

Se é certo que o quinto vereador seria conseguido com mais 28 votos – a diferença entre os 6241 com que o PS conquistou o 7º vereador e os 6214 que a CJpG conseguiu, também se pode sustentar que os votos do Chega, da Iniciativa Liberal o PAN que não serviram para nada poderiam ajudar a coligação à direita em ter os mesmos cinco vereadores de 1997.

A CDU que almejava com Mariana Silva igualar Cândido Capela Dias, António Salgado Almeida e Torcato Ribeiro e mais remotamente Óscar Jordão Pires, também sofreu um revés na sua votação ao ter o pior resultado dos candidatos da CDU com Domingos Bragança como opositor.

Os 4846 que Mariana Silva obteve ficaram a 1395 dos votos (6241) que elegeram Ana Cotter, utilizando o método de Hondt na atribuição dos mandatos.

Neste contexto, e porque os votos do Chega, Iniciativa Liberal, PAN somariam 5747 ainda assim não elegeriam qualquer vereador. E só com os 2256 do Bloco de Esquerda é que poderia haver um vereador diferente do bi-partidarismo em que vive, há já alguns anos, a vereação apenas com eleitos do PS e do PSD e CDS coligados.

“O nosso projecto é para servir Guimarães com todos e para todos.”

No rescaldo da noite eleitoral, vencedor e vencidos, falaram sobre os resultados. Para Bragança, os votos que lhe renovaram o mandato proporcionaram “um dia de alegria para todos os socialistas e para todos os vimaranenses porque o nosso projecto é para servir Guimarães com todos e para todos”.

No horizonte político prometeu cumprir “o projecto ambicioso que apresentamos aos vimaranenses”, afirmando que “não há vimaranenses de primeira e de segunda porque na minha presidência na Câmara Municipal todas as freguesas contam”.

O seu mais directo opositor, Bruno Fernandes, reconheceu que a coligação Juntos por Guimarães falhou o objectivo de vencer as eleições, sem deixar de felicitar “o vencedor Domingos Bragança”, acreditando que “é importante que os propósitos de Guimarães sejam assegurados”. Deixa a disponibilidade para trabalhar pelo concelho.

“Da parte da CDU continuaremos na rua a lutar por melhor mobilidade, por mais habitação e por mais cultura.”

Mariana Silva sublinha que a CDU continua como terceira força política em Guimarães. E declara que “continuaremos firmes na defesa de uma vida melhor para os vimaranenses e de um desenvolvimento mais qualitativo para Guimarães e da parte da CDU continuaremos na rua a lutar por melhor mobilidade, por mais habitação e por mais cultura”.

O Chega que foi a quarta força política mais votada na eleição para a Câmara Municipal, teve em Adão Henrique Pizarro, o seu candidato, o espelho da frustração. “Pensei sempre que poderíamos ter uma melhor votação mas fiquei triste por perceber que metade dos cidadãos vimaranenses gosta de andar de mão estendida, por mais quatro anos e outra metade não quer saber de Guimarães para nada”.

Henrique Pizarro prometeu que o Chega vai estar atento e activo na defesa do seu projecto para Guimarães “ouvindo e sentindo as pessoas” e fá-lo-á na Assembleia Municipal, onde conseguiu eleger um deputado.

“Para as próximas eleições vamos arranjar uns sacos de rebuçados, umas canetas e uns bonés para dar aos vimaranenses para comprar votos.”

“Contem connosco e para as próximas eleições vamos arranjar uns sacos de rebuçados, umas canetas e uns bonés para dar aos vimaranenses para comprar votos”, concluiu.

Luís Lisboa, candidato do Bloco de Esquerda viu o seu resultado “em linha com o alcançado em 2017” e garantiu continuar a “lutar para devolver Guimarães às pessoas”.

Gil Leitão do Iniciativa Liberal manifestou a sua satisfação pela eleição de Pedro Santos para a Assembleia Municipal como era objectivo do partido.

Finalmente, Rui Rocha do PAN diz que o resultado do partido em Guimarães está na razão directa da falta de recursos entre os vários partidos.

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