ACTG: “Não nos estraguem o Natal”

A presidente da Associação de Comerciantes Tradicionais de Guimarães (ACTG), Cristina Faria alertou o presidente da Câmara para que este não queira ficar lembrado na história da autarquia como “o responsável pelo fim do comércio tradicional.


No final da ordem de trabalhos da reunião de câmara de Quinta-feira, a presidente da ACTG falou ao executivo sobre o corte do trânsito consequente da prevista pedonalização da ala nascente da Alameda de São Dâmaso, da ala nascente do Toural e da rua de Santo António. Cristina Faria frisou o que tinha já escrito na carta e abaixo assinado destinados à direcção do município, em que 179 dos 189 comerciantes inquiridos se mostraram desfavoráveis à medida.

“Esperamos que o município altere a sua sensibilidade. Espero que o presidente tenha sensibilidade. Não queira ser recordado como o homem que causou a morte do comércio de Guimarães”, aconselhou a dirigente, após ter apelado à reconsideração do corte do trânsito. 

“Todas as cidades que condicionaram o trânsito do carro no centro ganharam em vida”.

Em resposta, Domingos Bragança manteve a posição, justificando que “todas as cidades que condicionaram o trânsito do carro no centro ganharam em vida, em reunião de comunidade, em comércio e em serviços”, mas mostrou-se aberto à colaboração com “as associações representativas do sector”.

Em declarações à imprensa, a presidente da ACTG garantiu que o “corte do trânsito é a morte do comércio local” dando conta de um exemplo espanhol: “Partilhamos o testemunho de um comerciante em Espanha que diz que o corte do trânsito é a morte do comércio tradicional. Começa a haver um género diferente de comércio: bares, restauração e alojamentos locais, virados para o turista e não para os habitantes da cidade”

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Abordou, ainda, outras consequências que esta medida poderá trazer, como a redução de estacionamento de proximidade, mais uma vez sustentando o seu argumento com exemplos, desta vez de clientes de cidades vizinhas. “Atendi duas clientes, uma de Mondim e outra de Celorico e o que elas me disseram foi ‘por favor não deixem cortar o trânsito’”. Continuou, contando que uma das clientes já vai à sua loja há muitos anos com a mãe e avó: “Todos os sábados vêm passear para Guimarães. Se tiverem o trânsito cortado e não tiver onde estacionar, o que já agora é muito difícil, disse que se põe na autoestrada e, mais cinco ou 10 minutos, está em Braga, onde tem estacionamento na zona comercial”

O Natal e, em específico, o plano do município para o período de Dezembro é outra das preocupações da associação. Este ano, ao contrário do anterior, não participam na organização e planeamento do “Guimarães Cidade Natal” devido “ao que aconteceu no ano passado”Cristina Faria pediu prudência quanto às decisões tomadas para a época festiva: “Foi o que pedi ao presidente, para não cortarem o trânsito ao fim de semana porque são os dias em que nós mais vendemos. Cortando o trânsito e não havendo actividades muito fortes que consigam realmente atrair as pessoas e permitam às pessoas não só vir assistir às actividades, mas sim fazer as compras”.

Reitera que a época natalícia é “uma bolha de ar para todos os comerciantes” e apela: “Não nos estraguem o Natal”

No entanto, o vereador com o pelouro da cultura e turismo, Paulo Lopes Silva, confirmou que o corte do trânsito nos finais de semana de Dezembro serve, essencialmente, para acomodar as iniciativas de animação de rua e funcionará como “testes para o futuro”. Admite, contudo, que as políticas públicas promovidas pelo município “devem ter em conta as preocupações do comércio tradicional e a qualidade de vida de quem nela vive”.

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1 COMENTÁRIO

  1. Fui sempre socialista para a camara municipal assim como toda a família, mas fechando ao transito a rua de santo antónio, jamais o farei.
    Vai ser deserto total, durante 10 meses e meio.
    Aqui à interesses ocultos que nunca pensei que viessem do meu partido.

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