25 de Abril: há um sentimento de pertença das forças políticas

BE: “a data mais bonita da nossa história”

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A deputada do Bloco de Esquerda, Sónia Gonçalo, disse que “celebramos hoje a data mais bonita da nossa História”, que permite também a celebração da “revolução de Abril, da democracia e da liberdade”.

Nesta celebração que estendeu “ao fim da ditadura fascista e da perseguição e violência às mãos de uma polícia política que prendeu, torturou e matou”, há ainda “um destino a alcançar”.

E “cabe-nos a tarefa de evitar recuos, regressos indesejados a um passado obscuro e a destruição de tudo o que foi conquistado pelo sangue, suor e lágrimas de quem edificou a nossa democracia”.

É a realidade, hoje, que leva a deputada do BE alertar que “os ventos não correm de feição e sente-se hoje um olhar pessimista em relação a Abril e ao seu regime”. Por isso a tarefa é a de “recuperar as pessoas desiludidas, angustiadas e maltratadas pelas sucessivas governações PS/PSD/CDS para a luta pela democracia”.

Defende que “quase cinco décadas após Abril, Portugal é ainda um país onde um homem branco heterossexual tem mais hipótese de ascender económica e socialmente do que uma mulher, uma pessoa de cor, de etnia cigana ou da comunidade LGBTQ+”.

Defende que “relembrar Abril” é tarefa para hoje e para amanhã. Até para mais facilmente “cumpri-lo”, na direcção de “um país justo, igualitário, onde o poder económico-financeiro se distribua na maior parte da população e não numa elite, nos interesses particulares do neoliberalismo que desmantelou grande parte do espírito revolucionário português”.

Desejou, por fim, que “nunca mais volte a pôr em causa a liberdade, os direitos e a dignidade do seu povo”.

PPM: 33% dos trabalhadores vivem na pobreza

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António Meireles, do PPM, depois de citar Spínola ao recordar que “ideias democráticas e de liberdade estão sendo criminosamente minadas por forças que visam a destruição e anarquia”, olhou para Portugal comparado com outros, ajudado pelos dados da Human Freedom Index, da Freedom House, da Global Peace Index, da Transparency Internacional sobre o sistema de justiça, liberdades civis e políticas, sobrelotação de prisões, discriminação racial e étnica.

Evocou “as tentativas de condicionamento da liberdade de imprensa aquando da investigação de grandes processos judiciais, a limitação do escrutínio público, devido à redução dos debates parlamentares e a baixa participação cívica (que se traduzem nas elevadas taxas de abstenção)”, como os principais factores que “condicionam a qualidade da democracia”. O deputado do PPM, na coligação com o PSD e CDS, António Meireles disse que “47 anos depois, a liberdade tem proprietários, senhorios que decidem se o dia da liberdade pode ser comemorado por quem quer ou só pelos autorizados!” uma forma de condenar a limitação de liberdades políticas na hora de comemorar uma data que se identifica com o povo português e não com uma franja.

Nesta linha de pensamento também olhou para “a liberdade económica” onde Portugal é dos menos livres, da “fraca competitividade fiscal, do elevado peso do Estado e da limitada flexibilidade laboral” que são factores que tornam o país asfixiado e menos livre tal como outros. E no quadro que traçou do país, neste Abril de 2021, António Meireles, falou da “pobreza estrutural em que vivem 1,7 milhões de pessoas” e “dos mais de 5,6 milhões de trabalhadores que vivem na pobreza, ou seja 33% dos trabalhadores”.

Este Portugal que já nem de remediados é, leva o deputado municipal do PPM a perguntar: “o que de facto comemoramos?” E questiona “podemos sentir-nos orgulhosos destes quase 50 anos e da herança que aos nossos filhos e netos vamos transmitir?”

Relembra que “a cada governo eleito torna-se miragem a possibilidade de sermos um país com o padrão de vida europeu. Esfuma-se a esperança a cada crise que se abate sobre nós e desvela-se um tecido social puído e a certeza, a continuar neste rumo, que o nosso futuro será manifestamente uma sombra do que nos prometeram. Vivemos de “bazucas”, de empréstimos, da mão estendida à Europa, ao FMI, etc. que permitem ao poder manter a sua entourage contente, a sua clientela tranquila. Diariamente propagandeiam com planos de recuperação, planos de resiliência, planos e planos que sabemos não chegam nunca à economia real porque a corrupção enxameia a classe política”.

Nesta perspectiva crítica sofre a meia idade do 25 de Abril e dos seus efeitos na sociedade portuguesa, António Meireles fala de “um país que separa os seus concidadãos entre os que são seus protegidos, com salário garantido, horários de trabalho diferenciado e os outros; e aqueles que têm que encontrar forma de pôr pão na mesa”.

E acusa, “todos somos coniventes e alguns cúmplices desta mentira repetida que nos prometia um país de futuro e de esperança que, lamentavelmente, 47 anos depois, o nosso futuro é de angústia, de inquietação e desalento para muitos de nós.”

CDU: “temos outros, temos mais problemas, mas há 47 anos estávamos pior”

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A comemoração do 25 de Abril, fez Capela Dias, rejubilar, de alegria e de esperança. Sem o dizer, fez crer que o último vereador da CDU no executivo municipal está de volta. Um pouco para animar a malta e ajudar a CDU a voltar à Câmara Municipal de Guimarães.

Não enterrando a cabeça na areia, o deputado olhou para o presente, por estar “a usufruir de uma das grandes conquistas de Abril, o poder local democrático” e a assinalar que esse poder local “continua de pé”, para além dos “recuos, apesar dos ataques, das mutilações sofridas no percurso”, e “a resistir, constituindo um farol que alumia os caminhos por onde as populações buscam melhor futuro”.

Apesar de ver “o país exausto e exaurido”, Capela Dias mantém a esperança, mesmo sabendo que “não há família imune, não há empresa imune” ao que se vai passando. “Nalgumas casas falta o pão na mesa – sublinha – não há trabalho, os rendimentos do agregado foram rapados. A fome e a angústia florescem, com a pobreza a crescer mesmo entre aqueles que ainda têm trabalho”. O mesmo acontece com “os micro e pequenos empresários, os sócios-gerentes, os empresários em nome individual, os trabalhadores independentes, os homens e mulheres da cultura das artes e ofícios estiolam e fazem contas à vida interrogando-se por quanto mais tempo vão conseguir resistir. A palavra de ordem é essa mesmo: resistir, sobreviver” – salientou.

Não esqueceu a pandemia, neste olhar, sobre o presente, porque “a CDU mantém acesa a esperança de mais tarde do que por todos desejado vamos vencer mais este infortúnio, vamos retomar nas nossas mãos a construção de um futuro mais justo, vamos tomar nas nossas mãos a construção de um país mais solidário e mais equilibrado”.

Alerta, no entanto, “temos outros, temos mais”, problemas. E elenca: “uma economia anémica, sem vitalidade, uma economia herdeira de modos de produção e de organização arcaicos. O que resta da industria têxtil que marcou Guimarães outrora, está a ser assolado por ventos de mudança, uma mudança que temo não seja para melhor”. E explica “da fábrica familiar, com gestão austera assumida pela família e legada pelos pais aos filhos, estamos a transitar para uma gestão externa asséptica onde a obediência ao mais feroz capitalismo liberal exige o primado do lucro sobre as pessoas, exige taxas de retorno altas que acelerem a recuperação do capital investido, exige a remuneração dos accionistas haja ou não haja lucros, exige a menos consideração por fornecedores e credores, exige e supõe a desvalorização do trabalho e dos trabalhadores”.

Não deixou de recordar o episódio recente da Coelima e dos “comerciantes e feirantes que, por arrasto, serão outras vítimas da Coelima, empolando e potenciando grave crise social e económica, uma crise que os mais velhos associarão à das bandeiras negras e à marcha sobre Guimarães”.

Acabou a falar sobre o ambiente. “Nem o rio Ave nem os seus afluentes estão próprios para uso e gozo das populações. Muito se fez, nem sempre bem, mas muito falta fazer. Volta e meia ouvimos e vemos notícias de descargas poluentes que suscitam coros de indignação justa e justificada”. No entanto, mantém na agenda a defesa do verde e do ecológico: “Já demos passos mas há quem ainda pense que o esforço pela consciência ambiental é tarefa concluída quando a vida mostra que ela é tarefa em realização permanente, tarefa que exige vigilância e castigo dos poluidores”.

“Há 47 anos Portugal e Guimarães estavam piores” – lembrou. E fez fé no poder local para a construção de sociedade mais justa: “Demos passos, estamos no bom caminho, o caminho da democracia e da participação dos cidadãos, com o poder local democrático na linha da frente da construção de uma sociedade mais justa, mais solidária e mais humana”.

CDS: Abril com Camões, Ramalho Ortigão e Padre António Vieira

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Nuno Vieira e Brito fez a intervenção mais poética da celebração municipal do 25 de Abril.

Fez uma reflexão interessante sobre “o vigor das convicções democráticas que proclamamos e as enormes contradições do modelo de sociedade que fomos construindo”.

“Estamos longe, muito longe, da sociedade justa e igual que tanto desejávamos e pretendíamos, da igualdade de oportunidades entre todos os portugueses, do equilíbrio e da convivência geracional, de um modelo de desenvolvimento que promova a coesão, da protecção aos mais vulneráveis, do emprego qualificado e sua justa retribuição”.

E porquê? Porque “vivemos resignados” perante o que Ramalho Ortigão já achava estranho: “processos improvisados e caóticos em que vivemos sucessivamente nos desenraizamos do torrão paterno, desandando e retrocedendo da ordem ascendente e lógica de toda a evolução social, principiando por substituir o interesse da Pátria pelo interesse do partido, depois o interesse do partido pelo interesse do grupo e por fim o interesse do grupo pelo interesse individual de cada um.”

Nuno Brito também citou Camões para falar sobre a corrupção que “nos destrói, envergonha” pela sua imunidade. “Quem há que veja aquele que vivia/ De latrocínios, mortes e adultérios,/ Que ao juízo das gentes merecia/ Perpétua pena, imensos vitupérios,/ Se a Fortuna em contrário o leva e guia,/ Mostrando, enfim, que tudo são mistérios,/ Em alteza de estados triunfante,/ Que, por livre que seja não se espante?”

Mostrando-se contra os sinais dos tempos, do politicamente correcto, o deputado do CSD/PP falou da sociedade que se devia construir. Na Saúde, na Educação, na Solidariedade Social mais conhecida por “assistencialismo” ou dependência, sem cuidar da preservação da “dignidade do homem e da sua activa participação na sociedade”.

Para o líder do CSD/PP celebrar Abril, só vale a pena se for “um Abril onde todos cabem, um Abril de futuro, não imobilista e passista ou saudosista”. E acrescenta: “Um Abril que dê Futuro especialmente aos que apenas o conhecem dos Livros, os mais jovens, uma Esperança no desenvolvimento, uma certeza na transparência, uma firmeza na igualdade de oportunidades, a meritocracia como forma de valorização do seu percurso pessoal e profissional. Aproveitemos, por fim, esta oportunidade que surge, porque somos uma democracia integrada num espaço europeu, e tornemos Portugal num país mais igual, mais coeso e justo, mais solidário e desenvolvido”.

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