Vitória no Bessa: Meia dose de alegria e outra de sofrimento

João Henriques entrou a ganhar, o que é bom para pacificar as hostes vitorianas. Mas ainda há muito trabalho para fazer e um plantel para avaliar, formatar e potenciar.

O triunfo frente ao Boavista pode não consagrar, desde já, João Henriques como rei mas abre-lhe a legitimidade para alargar as fronteiras do seu reino vitoriano que começa a construir. Serve, no entanto, para envergar o título de “Conquistador” – que outorgou a si próprio e pela sua “Corte” – e partir para novas conquistas, libertando o país futebolístico dos mouros. É esse o seu desígnio, falta saber se tem a garra do outro Henriques que se chama Afonso e cujas conquistas ainda estão à vista. E se conquista também a “plebe” do condado vimaranense para confirmar as suas façanhas.

Alguns raios de sol iluminaram a noite futebolística do Bessa. O Vitória entrou com outro ar e com 10 habituais titulares. Ouattara substituiu Sacko retido pelo vírus, na direita e, ainda assim, a equipa mostrou uma nova disposição para retardar a força da pantera negra, que se notou apenas na segunda metade.

O golo de Edwards, aos 18’, a concluir um lance trabalhado por Bruno Duarte, com elegância e poderio físico, cristalizou a motivação que a equipa trazia com as ideias do novo treinador.

© LIGA PORTUGAL

Mas com 10 dos onze de Tiago, o que mudou nesta equipa de Henriques? A objectividade e simplicidade de processos, a forma de afastar o adversário da baliza de Varela – percebe-se o trabalho que teve neste jogo comparativamente com o afã de jogos anteriores – a forma como se utilizaram alas e extremos, a dinâmica que trouxe Rochinha e a clarividência de Edwards em marcar mais um golo bonito… com o seu pé direito.

O resto, foi sofrimento porque depois do intervalo, o Boavista carregou ainda que mais em força do que em jeito. E o sofrimento faz parte do jogo, o que permite também responder ao domínio adversário, melhorando a vivacidade de uma partida que é mais um começo do que um destino. Daí as oportunidades que surgiram e que poderia ter dado mais golos ao encontro.

© Vitória SC

As premissas do estilo de futebol de João Henriques foram evidenciadas: posse de bola para criar oportunidades, jogar na área adversária, defender sem bola. Ao Vitória – e também ao Boavista – o que faltou foi não concretizar as oportunidades por mérito dos guarda-redes e demérito de avançados que pensaram mais em rugby do que em futebol.

Observações:

  • Ao quarto jogo e ninguém parece notar que há um árbitro em campo que incline o relvado. Isso é bom para a competitividade do futebol;
  • Bruno Varela também teve o seu jogo de descanso. E não passou despercebida a sua presença pois, fez duas intervenções importantes que deixaram o Boavista a zero;
  • O golo de Edwards é bonito e foi concebido com uma excelente intervenção de Bruno Duarte, fora da área;
  • A estreia de Ouattara foi positiva e enquadrou-se perfeitamente no estilo de jogo da equipa;
  • João Henriques optou por dar consistência à equipa como um bloco, compacto, que assegurou estabilidade para suster o ímpeto do adversário na 2ª parte;
  • A dupla Jorge Fernandes e Suliman, no eixo da defesa, soma mais um jogo sem golos, e mostra que é a mais eficiente neste sector;
  • O sector defensivo continua a ser o mais esforçado da equipa, garantindo pontos e evitando golos adversários. O jogo com o Boavista foi mais um teste, positivo, o que pode ajudar que também o meio campo e o ataque se libertem de alguma apatia e possam sustentar o poderio desta equipa, como um todo;
  • João Henriques deu um voto de confiança aos jogadores ao não fazer nenhuma alteração, Sacko ficou de fora por causa da Covid-19, facto que permitiu à equipa crescer, paulatinamente, e com tempo;
  • Quaresma continua a jogar 90’ e voltou a mostrar que os seus passes são uma mais valia e só precisam de ser melhor aproveitados;

© 2020 Guimarães, agora!

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