Vitória: E depois do “adeus”… do Tiago?

Três jogos depois e um ciclo que parecia prometedor, acaba. O treinador sai pelo próprio pé, deixando o Vitória no seu habitual mundo de incertezas, confiante que da próxima é que é… e o milagre se concretize.

A sucessão de treinadores no Vitória é uma fatalidade. Ou são despedidos ou não acabam o projecto para que foram escolhidos.

As escolhas do homem do leme, nos relvados, é um pesadelo para as direcções que os contratam, com critérios discutíveis e todos quase sempre encarregados de uma missão impossível: chegar, ver e vencer.

Miguel Pinto Lisboa – que tão boa conta de si tem dado noutras áreas – também se deixou perder no romantismo que parece alimentar alguns dirigentes, que contratam os treinadores à base da presunção (da inocência futebolística) e de uma qualquer variável matemática. O presidente e administrador da sociedade desportiva do clube pede tempo (três anos) para concretizar um projecto; o treinador, concluiu, que não tinha esse tempo, nem jogadores para começar a ganhar, de imediato.

O novo treinador foi-se à vida, depois de perceber que não se encaixava num modelo de clube que aponta para missões ambiciosas, façanhas desportivas que não se conseguem num abrir e fechar de olhos – porque o futebol não é uma fábrica, nem tem um modelo industrial em que assenta toda a sua organização.

O que esta “crise” – inesperada – evidencia é mais do mesmo: o Vitória continua a ser um clube destinado a produzir um ou dois jogadores apetecíveis no mercado futebolístico – onde são sempre os mesmos a ganhar – sem que se institucionalize como estrutura para ter resultados colectivos que satisfaçam dirigentes e adeptos famintos de comemorar êxitos desportivos que se ficam por pequenas e meras conquistas domésticas.

O tempo que escasseia para dirigentes, técnicos e jogadores – não tem sido equacionado nas escolhas do “pessoal” que dá corpo a todas estas ambições. E como factor importante do êxito desportivo, acaba por deitar por terra projectos a quem falta o sucesso imediato.

O clube fica assim eternamente à espera de se modernizar, estruturar e definir objectivos que possa concretizar ao longo de uma época, de um ciclo eleitoral ou outro plano temporal. Com paciência e com as bases necessárias para resistir a desaires ou vendavais. Numa continuidade – também base de sucesso – que não passe por trocar de plantel e de treinadores, à velocidade de um meteorito.

Como é difícil de conjugar estas vertentes, em simultâneo, num período curto, rapidamente entram em conflito interno e numa fase de sobrevivência: o dirigente não vê resultados para as suas opções, o treinador exaspera pela falta de mão de obra qualificada para a sua obra, os sócios não festejam golos.

E tudo volta ao princípio, numa rotina impecavelmente destruidora, em que ganham sempre os mesmos, menos o Vitória – clube e corporizador de vontades e ambições dos seus seguidores e de uma sociedade que espera, afirmar-se, pelo futebol.

Como terra de ninguém, o Vitória torna-se no pior exemplo de organizações futebolísticas, onde a cada dia há projectos novos que se transformam em abortos prematuros, onde há sempre uma peça que quebra. E reafirma a sua marca de instabilidade, sem coerência alguma, escondendo sempre as fragilidades de cada projecto, época ou ciclo que inicia.

No dia seguinte, voltamos ao mesmo, com nova esperança, renovados votos de sucesso, do agora é que vai ser, desperdiçando recursos em indemnizações a um exército cada vez maior de servidores – hoje as equipas técnicas são quase meia equipa; recomeçando com novos métodos, mandando às malvas a estabilização do clube que se tornou num autêntico laboratório de experiências, sem conseguir fazer o antídoto certo para a sua verdadeira doença.

E os palpites, sobre quem se segue, voltam-se para os que o mercado tem, ou no desemprego ou em paragem, numa escolha aleatória, à espera que dê resultado, haja sorte e o novo treinador possa dar corpo a ambições e projectos não assentes na razão mas na emoção.

Tiago acusado de “insegurança”

O resto é o que se sabe. Ontem (8 de Outubro, às 20h) a Vitória Sport Clube, Futebol SAD, esclareceu em comunicado que “foi surpreendida, esta quinta-feira, com a decisão comunicada pelo treinador da equipa principal, Tiago Mendes, de terminar a sua ligação ao clube”.

Reconhece que “a posição manifestada quebra um trabalho de largos meses entre a estrutura do futebol e o treinador escolhido pela Administração para a construção e preparação de um plantel que permitisse concretizar a política desportiva do Vitória SC e alcançar os objectivos traçados.”

Explica que “todas as decisões tomadas relativamente à equipa principal tiveram a participação e a concordância do técnico e que este sempre teve total autonomia para o exercício da sua liderança”.

E no já habitual passa culpas, a administração classifica a posição do treinador “ainda no arranque da época e numa semana em que se encontra a frequentar o curso UEFA Pro, só pode ser recebida como uma manifestação de insegurança que é incompatível com o Vitória SC”. E promete para breve “uma nova liderança técnica que se enquadre no projecto desportivo e permita a obtenção dos resultados ambicionados”

Nada é dito sobre o que pode estar na base da decisão de Tiago Mendes alegadamente interessado em ter no fecho do mercado (inscrições) jogadores com mais experiência e que pudessem proporcionar resultados imediatos.

© 2020 Guimarães, agora!

1 COMENTÁRIO

  1. Não percebo como é que um treinador pede a demissão e o Vitória é que tem de indemnizar toda a equipa técnica.Há qualquer coisa que não está a bater certo.

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