Um pastel de Belém amargo…

Tiago não foi feliz na sua estreia como treinador principal e o Vitória não ganhou, pela terceira época consecutiva, na primeira jornada.

A expectativa de ver o Vitória jogar na competição real com um onze remodelado, o facto de o treinador ser um jovem que inicia a sua carreira, em Guimarães, tal como muitos dos jogadores do plantel, e a época abrir numa conjuntura especial e com condicionantes – sem público, redundou numa derrota que se explica também por tudo isto e, ainda, pelo valor do adversário.

Ver que Vitória se apresentava no relvado, que exército iria escolher Tiago Mendes para a primeira batalha, o que vale, de facto, este plantel, que guião futebolístico – técnico e táctico – vai seguir o treinador, deixava uma curiosidade bem clara nos adeptos e no mundo do futebol.

Antes, o Vitória entrava a vencer com campanhas de marketing mais ou menos estilizadas e assertivas, com a contratação de Quaresma, num orçamento de 20 milhões destinados ao futebol profissional.

© Liga Portugal

Logo que a bola foi tocada por um jogador do Belenenses, após o apito do árbitro Manuel Oliveira, o Vitória esperou quase um minuto para a recuperar. Mas percebeu-se, entretanto, que o Belenenses se apresentava com personalidade, organização e objectividade. A sua simplicidade de processos de jogo, denotava agressividade, pois chegava mais depressa à baliza vitoriana.

O Vitória entrou com uma equipa, com jogadores posicionados no seu espaço de jogo, sem mostrar atrevimento para ir mais além, ou imaginação para criar desníveis e desequilíbrios, embarcando na teia do adversário, que compactado susteve os processo de intenção de chegar à baliza azul.

A equipa mostrava não ter individualidades, nem um processo de jogo que beneficiasse esta ou aquela estrela. O colectivo acentuava uma impotência de ir para além do último reduto adversário. Mesmo assim, uma outra referência surgia mais pelo seu dinamismo do que pela sua criatividade: Sacko o primeiro a rematar com intenção de golo, Foster a querer mandar no meio campo, pelo aprisionamento de André André, sujeito a marcação mais directa. Todos esperavam que Edwards explodisse e ressurgisse com o nível da época anterior, ainda há pouco acabada, mas a organização que Petit conseguiu impor na sua equipa, mostrava como o Vitória, daquele jeito, seria sempre impotente, salvo alguns imprevistos em que o jogo de futebol é fértil.

© Vitória SC

A troca de bola não teve correspondência num futebol prático e objectivo que o Vitória demorava em mostrar, os passes errados foram-se acumulando, a equipa jogava de modo macio.

As novidades e o estilo de jogo que Tiago concebera ficavam adiadas porque nem de bola parada, nem na utilização do contra-ataque, o Vitória surpreendia.

O tempo foi passando e o Vitória parou com o golo de Phete, depois do intervalo, que deixou a equipa sem reacção e sem soluções para chegar à igualdade.

Esperava-se que a equipa alterasse o estilo e a postura de jogo mas aquela solução nunca daria efeito com a táctica de Petit. E assim aconteceu.

Apontamentos:

  1. Equipa: Sete jogadores que chegaram agora ao clube, compuseram o “11” escolhido por Tiago onde só Sacko, André André, Edwards e Rochinha eram conhecidos.
  2. Avaliação: Os novos jogadores precisam de mais tempo para mostrarem o que valem. E a competição tem 34 jornadas e outras provas diferentes.
  3. Estrela: Varela evitou o 0-2 e depois o 0-2 que poderia ser o 0-3, intervenções que fazem dele a estrela do jogo.
  4. Táctica: Ainda é cedo para perceber como vai jogar o Vitória de Tiago, apenas se sabe que os jogadores foram rigorosos jogando apenas no seu espaço, com alguma organização, mas sem agressividade. Há um estilo no posicionamento mas faltam soluções no conjunto.
  5. Quaresma: A sua estreia foi normal, o “craque” fez os seus habituais cruzamentos, sem aproveitamento. Falta saber se com Bruno Duarte a situação não será diferente.
  6. Remates: Os de meia distância podem marcar o estilo de jogo de Tiago, foram vários, por jogadores diferentes. Só é preciso acertar na baliza.
  7. Cabeça: Só Jorge Fernandes a utilizou nos remates à baliza, o que é pouco em situações de bola parada. O golo que marcou, anulado por posição irregular, foi uma dessas cabeçadas… únicas!
  8. Esquerda: Por esta ala o Vitória abdicou de atacar. Carls fez um único cruzamento no final da partida.
  9. Phete: Foi mais um ex-vitoriano que veio ao D. Afonso Henriques  marcar o golo da derrota.
  10. Nota do jogo: 5 (1-10).
  11. Homenagem: um minuto de silêncio para recordar a morte de Basílio, ex-jogador e ex-treinador do Vitória.
  12. Árbitro: Manuel Oliveira foi mesmo árbitro nesta partida.

© 2020 Guimarães, agora!

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