Sociedade musical prepara-se para novos desafios e projectos

Em 2020 vai mudar para o ex-Teatro Jordão

A Sociedade Musical de Guimarães não se quer fechar em torno da música mas quer abrir-se a outras artes que com ela mais se relacionem, abrindo pontes para a cultura.

É este o novo desafio aos 126 anos de vida.

É uma nova etapa de vida que a Sociedade Musical de Guimarães (SMG) quer trilhar pela batuta de Vítor Matos, professor de música, maestro, docente na Universidade do Minho e actual presidente da direcção.

Na SMG já só se pensa em ocupar o novo espaço, no edifício do ex-Teatro Jordão, que deve acontecer em 2020. Por isso, acelera-se um novo dinamismo e organização na estrutura actual, estudam-se novos projectos, procuram-se novos protagonistas e músicos que correspondam ao novo devir.

“Criar pontes entre o que é a SMG e a cultura, leva-nos a uma exigência maior enquanto instituição virada para a arte e cultura, tendo a música como actividade principal” – defende Vítor Matos.

Consciente de que a SMG “não se deve fechar em si mesma”, o presidente – qual maestro do coro dinâmico da instituição, com várias valências e projectos – quer complementar com outras vertentes e novos desafios a actividade principal.

Estão a ser preparados e encarados os novos desafios em diferentes áreas; o centro de investigação – dirigido por um musicólogo – Alexandre Xavier – que foi um ex-aluno e vai dar vida ao imenso espólio da SMG, começando pelo de S. Francisco que merece ser estudado e divulgado, no período desde o século XVI ao século XIX; a sociedade de concertos – estrutura da própria Sociedade Musical mais virada para a organização e promoção de concertos e espectáculos – privilegiará a música de câmera, de modo a que haja uma maior interacção entre jovens músicos e músicos com maior maturidade. “Na música a experiência é muito importante” – nota; na qualidade do ensino a Sociedade, quer elevar a fasquia, de modo a que o Conservatório continue cada vez reconhecido não apenas pelos vimaranenses mas por quem nos considera já uma escola de referência. “Vamos definir bem o tipo de corpo docente que pretendemos e o que mais se adequa aos projectos que queremos implementar”. A escolha do corpo docente obedecerá a critérios mais estreitos do ponto de vista pedagógico e técnico. “Todos reconhecem que Portugal tem na música tem um nível de ensino especializado e de alto nível mas no mercado de trabalho não pode competir com outros”.

Aliás, a SMG cujo ensino de qualidade tem reconhecimentos vários, vai novamente apostar em cursos livres de instrumentos, à procura de novos talentos e dar oportunidades a públicos diversos para entraram na música. Crianças, adultos de meia idade e seniores podem frequentar estes cursos livres, uns procurando uma paixão na música, outros complementando a sua vida com a aprendizagem de um qualquer instrumento. É também por esta via que a SMG se tornará um centro cultural, crescendo em número de actividades, captando públicos diferentes e dando oportunidades a quem quer entrar no mundo da música.

Estes cursos vão ser preparados para começarem a ser ministrados nas novas instalações do ex-Teatro Jordão, no próximo ano. Vítor Matos orgulha-se de ter muitos dos actuais professores, ex-alunos das escolas da SMG. E são eles que hoje dinamizam muitas das actividades que distinguem a actividade da Sociedade.

Mas quais são as “jóias da coroa” da Sociedade Musical de Guimarães enquanto mãe de toda a actividade musical?

Em lugar de destaque está o Conservatório de Guimarães, escola e instituição que forma futuros músicos, formação essa enquadrada e reconhecida no chamado ensino articulado. O Conservatório tem uma actividade de ensino da música protocolada com o Ministério da Educação, através da DEST.

Pode-se dizer os “filhos queridos” da SMG são vários. E formam uma família numerosa e nobre.

Falemos do coro infanto-juvenil – Jovens Cantores de Guimarães – dirigido pela professora Janete Ruiz que é para a Sociedade um motivo de orgulho.

“Reparo que se pauta por um bom nível, tem reportórios muito bons, são também a imagem da SMG no mundo, estão a preparar uma nova saída, agora para a Alemanha, onde em Bona vão participar num festival importante” – salienta Vitor Matos.

Por fim, a relação com a Universidade do Minho e as suas escolas viradas para a música e arte, trouxeram novos contributos para o ensino da música.

“Temos uma parceria fantástica, com 20 anos, trabalhamos juntos em vários projectos. Vamos reformar a parceria de modo a fazê-la crescer. Queremos mais estagiários da Universidade envolvidos nas nossas escolas e nos nossos projectos, procuramos maior colaboração no campo da investigação musical” – vinca Vítor Matos como anseios para o futuro.

Aos 126 anos de idade, a Sociedade Musical quer dar um passo de gigante, só permitido por novas instalações, com a intenção clara de ver o seu valor reconhecido como marca distintiva e reconhecida no mundo da música.

Jovens músicos distinguem-se no estrangeiro – Formados nas escolas do Conservatório

A Vítor Matos e à SMG agrada-lhes que ex-alunos tenham sucesso numa eventual carreira internacional. Valor e competência musical é-lhes reconhecida por muita gente. Mas falta-lhes uma oportunidade de emprego que na música só se consegue em grandes escolas ou em grandes orquestras.

Desde que se institucionalizou em 1992/93, o Conservatório de Guimarães – era àquele tempo denominado como Academia de Música Valentim Moreira de Sá, e só mudou de nome para se identificar melhor e corresponder a uma escola de música com formação mais avançada – começou a ver, uns anos depois, e à medida que ia formando alunos, que estes procuravam na Europa e no Mundo, uma continuidade formativa, de nível mais elevado e que lhes proporcionasse uma profissão e um percurso profissional internacional.

O presidente da direcção da SMG sabe que alguns desses ex-alunos que de Guimarães partiram para complementarem a sua formação musical ou instrumental, foram para escolas de renome como Basileia, Viena, Lugano, Genéve ou Paris. E alguns tentaram a entrada em grandes orquestras.

Ora, é a qualidade destes ex-alunos que faz brilhar os pergaminhos do Conservatório porquanto, numa área difícil, e com enorme concorrência, jovens vimaranenses distinguiram-se pela sua competência musical.

Alguns desses alunos, já regressaram a Portugal e outros ainda por lá andam fazendo carreira internacional e trabalhando na área da música.

Pedro Minhava, foi o ex-aluno que mais recentemente tentou a sua sorte e apenas logrou alcançar o lugar de “reforço” da famosa Orquestra Filarmónica de Viena, depois de ficar – em 4º lugar – à porta da admissão.

Pedro Emanuel Pereira, pianista, com residência na Holanda, ainda por lá anda. Também Sérgio Pires, de 22 anos, esteve em Zurique numa escola de música, onde ganhou alguns prémios. E volta a Portugal para ingressar na escola da Universidade do Minho, enquanto professor.

Música para todos – Idosos e jovens na pauta musical

Tendo a música como actividade principal, é natural que se desdobrem as iniciativas em torno da música.

Aliás, Vítor Matos reconhece que na SMG há muitas audições, concursos, participações em congressos, actuações em cerimónias e concertos fixos.

No ensino da música como actividade curricular do ensino oficial, a SMG colabora com as escolas das Taipas e de Ponte, pela via do ensino articulado. Os seus professores vão ali dar aulas de educação musical. Com o ensino genérico, o aluno estuda música e está articulado com a sua escola – e as duas escolas trabalham em parceria com a SMG, discutindo o percurso e currículo do próprio aluno. O apelo para que o aluno tenha música no seu currículo escolar é, pois, contínuo.

Noutro âmbito, a SMG abriu-se a uma cooperação com os lares da Santa da Misericórdia para criar momentos musicais para os idosos. Também em Vieira do Minho, a Sociedade criou um polo, onde para além do ensino música também há uma cooperação com um lar de idosos.

Vítor Matos concorda que Guimarães vive um momento propício para fazer com que mais alunos cheguem às suas escolas de música.

“Sinto isso – reconhece – porque o ensino também está mais especializado, a utilização dos instrumentos é mais fácil, antes também os havia mas ninguém lhes punha a mão em cima. Há vários estudos que sustentam que um indivíduo que estuda música tem um poder de concentração maior do que outros, logo a música ajuda mais ao desenvolvimento global da pessoa”.

Será a música, uma boa opção extracurricular?

“Naturalmente até pelo número de alunos inscritos todos os anos. Estamos sempre a incentivar e a captar novos alunos, não apenas para ajudar á sustentabilidade deste projecto como contribuindo para o enriquecimento cultural do próprio aluno”.

Sendo a música hoje uma oportunidade e um meio para uma melhor educação, vejamos, como Vítor Matos na sua múltipla função, a classifica, num ranking de 0 a 5. A resposta do professor é de 4,5. Uma fasquia elevada mas normal reconhecendo que “o país faz menos pela música” do que outros na Europa.

Por exemplo, qualquer país da Europa tem a sua ópera (edifício e coro) mas não pode ir com a desculpa de que o espectáculo é caro. E em Portugal quem quiser ver ópera… não pode!

E Guimarães, comparado na sua região natural da Comunidade Intermunicipal do Ave? Vítor Matos reconhece que “Guimarães está acima dos outros concelhos no que há música diz respeito. Até pela programação anual… há quem não ofereça nada!”

© 2019 Guimarães, agora!

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